Belém (AE) – Cerca de 500 lavradores sem terra ligados ao MST invadiram e ocupam há dois dias a fazenda Rio Vermelho, em Sapucaia, no sul do Pará, pertencente à família Quagliato. A estratégia do movimento foi ficar um dia na beira da estrada e depois cortar as cercas de arame para entrar na propriedade de 26 mil hectares, uma das mais produtivas do Estado, com 130 mil cabeças de gado.

A justificativa do MST para a invasão, segundo a coordenadora estadual do movimento, Maria Raimunda César, é de que uma grande extensão de terra não pode ficar nas mãos de uma mesma família. Invasores, ligados ao MST, têm esperanças de que neste final de semana o número de trabalhadores aumente na área em questão.

A Fazenda Rio Vermelho pertence ao Grupo Quagliato e é considerada como um dos maiores empreendimentos agropecuários do País. ?A propriedade conta com um mini-hospital, com médico e enfermeira 24 horas, gabinete dentário, escolas, ônibus para transporte, casas de funcionários todas em alvenaria e com energia elétrica, empregando cerca de 200 pessoas, devidamente registradas?, afirma o advogado Flávio Guimarães, ressaltando o lado social da empresa rural.

Baderna ofuscou conferência da Fao

Porto Alegre (AE) – O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, admitiu que a invasão e destruição de um laboratório e viveiro de mudas da Aracruz Celulose pela Via Campesina, ofuscou o conteúdo da Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, promovida pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), encerrada sexta-feira em Porto Alegre.

Rossetto destacou que o evento exibiu uma pluralidade de opiniões e experiências que deveriam ter sido compartilhadas com o povo brasileiro. ?Infelizmente, a riqueza que se manifestou aqui (na conferência) foi subordinada à outra agenda (a invasão)?, comentou o ministro.

Rossetto, no entanto, disse que o governo federal não vai romper o diálogo com a Via Campesina, como fez o governo do Rio Grande do Sul.