Sorocaba, SP (AE) – Um incêndio destruiu cerca de 500 toneladas de cana de açúcar da Usina Decasa, em Caiuá, no Pontal do Paranapanema, na madrugada de ontem. A usina pertence ao grupo Olival Tenório, um dos principais produtores de açúcar do Estado de Alagoas, e que vem expandido a produção em São Paulo.
O diretor da empresa, Durval Guimarães, suspeita da ação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que mantêm acampamentos na região. Lideranças do MST negam envolvimento no caso. Na semana passada, integrantes do movimento haviam ateado fogo em outro canavial da empresa. Segundo Tenório, a cana queimada não estava pronta para a colheita, que só começa em maio.
Atendendo a pedido do usineiro, que estava hoje em Alagoas, o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, denunciou o dano ao Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter). Segundo Nabhan, é o quarto ataque a canaviais registrado na região, depois que o coordenador regional do MST, Aparecido Maia, declarou "guerra" a esse segmento do agronegócio.
Durante a invasão da fazenda São Domingos, há duas semanas, Maia disse à imprensa que o MST não permitiria o avanço das usinas e da cana-de-açúcar em terras pretendidas pelo movimento para a reforma agrária. "Ele está cumprindo o que prometeu."
Lideranças negaram participação do movimento no incêndio Segundo Nabhan Garcia, se a Polícia Civil investigar não terá dificuldade para confirmar a autoria do ataque. Ele lembrou que as últimas invasões lideradas pelo MST na região foram marcadas pela violência contra o patrimônio dos fazendeiros. "Destruíram mais de 5 quilômetros de cercas na São Domingos e mataram um boi na Fazenda Santa Cruz." Segundo o ruralista, essas ações prejudicam a economia a região. "O grupo Olival Tenório já avisou que vai rever seu projeto de instalar uma nova usina no Pontal."
Mais um incêndio no RS
Pelo segundo dia consecutivo, ontem houve incêndios nas plantações de soja da Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul. Desta vez o fogo foi controlado rapidamente pela Brigada Militar (a PM gaúcha) e destruiu pouco mais de dois hectares de uma plantação de 50 hectares. Tanto o comandante do policiamento do Planalto, coronel Waldir Reis Cerutti, quanto os proprietários da fazenda desconfiam de ações do MST.


