Porto Alegre (AE) – O subprocurador-geral para Assuntos Institucionais do Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul, Mauro Renner, pediu que os promotores de São Martinho, Rio Pardo, Lindolfo Collor, Uruguaiana e Nonoai (RS) instaurem inquérito civil para investigar viagens de vereadores que, a pretexto de fazer cursos fora do Estado, divertem-se em cidades turísticas e recebem diárias que, em poucos dias, superam os salários.
O uso do dinheiro público para o lazer privado foi denunciado por uma reportagem do Jornal Nacional, na noite de terça-feira. Apresentando-se como vereador de Barros Cassal, o jornalista Giovani Grizotti inscreveu-se em aulas destinadas a apresentar atualizações da legislação aos vereadores em Balneário Camboriú (SC), entre os dias 17 e 21, e Foz do Iguaçu (PR), entre o dia 24 e sexta-feira (27). Misturado aos participantes, Grizotti conseguiu captar imagens de salas quase vazias e de participantes fazendo compras no Paraguai, assediando prostitutas e tomando banho de sol na praia.
Os organizadores das conferências também facilitaram a vida dos gazeteiros, concedendo diplomas sem exigir freqüência total ou reduzindo as aulas para menos de três horas por dia. Nos depoimentos dados ao jornalista, os parlamentares revelaram diversas intenções. Para Renner, os vereadores terão de provar que freqüentaram as aulas e que os cursos eram relevantes para as atividades ou, então, devolver o dinheiro que ganharam. Também estão ameaçados de perder os direitos políticos por oito anos. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) anunciou que fará auditorias nas câmaras citadas na reportagem. A União dos Vereadores do Rio Grande do Sul sugeriu que os acusados sejam processados por quebra de decoro parlamentar.
Cafelândia
O presidente da Câmara de Cafelândia, oeste do Paraná, Neri José Ferreira (PMDB), afirmou ontem que devolverá as diárias que recebeu para participar de um curso dirigido a vereadores, realizado em Balneário Camboriú (SC), em dezembro. Ferreira, que viajou com o carro oficial da Câmara Municipal e recebeu R$ 3 mil para custear as despesas das aulas, que, segundo ele, duraram seis dias, mas o certificado que apresentou informa que a duração foi de 17 horas.