O Ministério Público Estadual (MPE) quer descobrir para onde seguiram e como foram aplicados os cerca de R$ 400 milhões supostamente remetidos pela Igreja Universal ao exterior entre 1991 e 2001. Em depoimento prestado anteontem a três promotores de Justiça, a doleira Cristina Marini, sócia da casa de câmbio Diskline, disse ter intermediado operações iniciadas em 1991, que se intensificaram a partir de 1995 e duraram até 2001.

Cristina apontou nomes e números de contas bancárias por onde teria passado o dinheiro da Universal nos Estados Unidos e em Portugal. De acordo com o MPE, parte desses recursos foi usado na compra de imóveis, carros, empresas de comunicação e um avião no Brasil. A acusação sustenta que esse dinheiro foi arrecadado por meio do dízimo pago pelos fiéis.

Os diretores da Igreja negam. O criminalista Antônio Sérgio de Moraes Pitombo afirma que “a defesa quer encontrar e ter acesso às delações e tomar providências no sentido de verificar a legitimidade de como foram produzidas e apurar eventuais responsabilidades”.

A doleira é testemunha-chave da apuração sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha que envolve o bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja, e outros nove acusados.

Acionados por autoridades brasileiras, promotores de Nova York apuram supostos crimes financeiros cometidos nos EUA. O MPE fez um pedido de cooperação internacional com os EUA para bloquear contas e bens dos acusados naquele país.