Dois mototaxistas amazonenses constrangeram os seguranças do Palácio do Planalto. Após solenidade em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ergueu a tocha dos jogos Pan-Americanos 2007, Robson Diniz e Rodnei Ramos, do Sindicato dos Mototaxistas de Manaus, aproveitaram a distração dos seguranças do Palácio, subiram a rampa e abraçaram o anfitrião da festa.

Minutos antes, Lula afirmou, no Salão Nobre, que o esquema de segurança da competição no Rio, que começa dia 13 de julho, será o mais "moderno e perfeito" da história. "Se o esquema der certo vamos fazer o mesmo nos outros Estados", disse o presidente, acrescentando que a disputa no Rio contará pontos para o País realizar uma Olimpíada e uma Copa do Mundo.

Robson e Rodnei, que vestiam agasalhos esportivos, ficaram escondidos no setor reservado a cinegrafistas, próximo ao pé da rampa. Assim que os atletas Gustavo Borges e Sandra Pires desceram a rampa com a tocha, os mototaxistas aproveitaram a descontração dos seguranças e pularam um alambrado móvel. "Quando eles (seguranças) viram, a gente já estava na rampa, e aí não conseguiram nos pegar", disse eufórico Rodnei. "Eles ficaram chateados, mas já era", completou Robson.

Os dois mototaxistas não deixaram escapar a chance de estar perto de Lula. Diante dos seguranças rendidos e furiosos, eles pediram ao presidente uma audiência reservada. Lula teria prometido recebê-los. "O presidente disse para os seguranças não tocarem na gente", contou Robson, que chegou a ficar de joelho ao fazer o pedido.

"Não precisa disso, eu recebo vocês", disse Lula, segundo relato de Robson. Os mototaxistas vieram com outros 11 colegas de Manaus para pedir ao governo federal que legalize a atividade deles. A viagem até Brasília durou 18 dias. Só na BR-319, uma estrada com trechos de terra e com muito buraco e lama, que liga Manaus a Porto Velho, eles gastaram oito dias.