Motoristas dos ônibus de linhas violentas do Rio pedem demissão

Ao menos dois motoristas da viação Braso, que faz os principais itinerários entre as zonas norte e sul do Rio, demitiram-se desde a segunda-feira, 21, com medo das gangues que saem de subúrbios em ônibus e vão às praias, onde fazem arrastões e roubos.

Motorista desde 1979, José Jurandir da Silva, de 61 anos, dirigiu ônibus na Baixada Fluminense nos últimos 30 anos. Há três meses trabalhava na linha 474, que liga o bairro pobre do Jacaré (zona norte) ao Jardim de Alah, canal que separa Ipanema e Leblon, na zona sul. O medo o fez pedir demissão. “É a pior de todas (as linhas) em que eu já trabalhei”, desabafou.

O último dia de trabalho foi no sábado. Silva conta que o ônibus lota logo nos primeiros pontos de parada, embora o número de pagantes não alcance cinco pessoas. Os jovens praticam assaltos também durante a semana. A gota d’água foi há uma semana. Silva disse que, no fim da tarde, parou no último ponto, em Copacabana, para uma mulher subir. Mas, com ela, entrou um grupo de mais de dez adolescentes. “Eu parei e subiu uma gangue. De lá para cá (zona norte), quem estivesse com celular no ponto, eles desciam para roubar.” Um taxista avisou a polícia, que retirou os jovens. “Pedi para me colocarem em outra linha e não quiseram. Já estou velho.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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