São Paulo – Na última sexta à tarde, moradores de Cruzeiro (221 km de São Paulo) avisaram o aposentado João Bosco Valério de que o irmão dele, o catador de papel Onofre Moreira, 64, havia morrido atropelado na linha de trem que corta a cidade. Era o começo da confusão. Valério foi ao IML e reconheceu o corpo do atropelado como o de seu irmão, Moreira. O corpo começou a ser velado ao meio-dia daquela sexta-feira, e a cerimônia seguiu até as 7h de sábado, sem imprevistos. Só faltavam três horas para o enterro, quando duas sobrinhas de Moreira ligaram para a mãe delas – irmã do catador – e disseram que o tio estava vivo, sentado em um banco da praça central. As moças, que trabalham em uma padaria no centro, onde o catador de papel costuma tomar café, decidiram, então, levar o tio ao próprio velório. “Eu estava pronta para ir ao velório.

Aí, minhas filhas me ligaram dizendo que meu irmão estava bem vivo e ao lado delas”, conta a dona de casa Mariana da Silva. Mariana narra que foi uma surpresa geral quando Moreira chegou à capela. Parentes se emocionaram, mas muitos demoraram para entender o que estava acontecendo.