Perigos do anabolizante

Morre “Popeye Brasileiro”: os riscos da aplicação de óleo mineral

Foto: reprodução.

O olindense Arlindo de Souza, que ganhou fama nacional como o “Popeye Brasileiro“, faleceu aos 55 anos na madrugada de terça-feira (13/01), no Hospital Otávio de Freitas, em Tejipió, zona oeste do Recife. Arlindo estava internado desde dezembro, mas a causa da morte não foi divulgada.

Morador do bairro de Águas Compridas, em Olinda, Arlindo ficou conhecido após aparecer em programas de TV exibindo seus músculos avantajados dos braços, resultado da aplicação de uma mistura perigosa de óleo mineral e álcool. O físico exagerado rendeu a comparação com o famoso marinheiro dos desenhos animados.

O sepultamento foi marcado para a tarde desta quarta-feira (14/01), no Cemitério de Águas Compridas.

Trabalhando como pedreiro, Arlindo modificou seu corpo com substâncias condenadas pela comunidade médica. Seu caso chamou atenção para os perigos do uso de anabolizantes e outras substâncias para aumentar a massa muscular – práticas associadas a sérios riscos para a saúde, incluindo problemas renais, hipertensão, danos celulares e risco de morte.

O médico cardiologista e presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP), Anis Mitri, alerta que o uso de hormônios anabolizantes, sintéticos ou não, traz inúmeros efeitos colaterais, principalmente quando usados em altas doses.

“Quando a pessoa usa o hormônio para fazer musculação, ela acaba sentindo que tem mais disposição, ela acaba sentindo que tem mais recuperação muscular mais fácil, ela consegue levantar mais peso. E isso acaba criando uma tendência da pessoa sempre querer usar. Só que o uso dele, tanto curto quanto prolongado, gera efeitos colaterais que você não consegue controlar”, disse à Agência Brasil.

Entre os efeitos estão a dependência, a criação de coágulos no sangue que podem levar a um acidente vascular cerebral (AVC), derrame, infarto. Além disso, ele cita efeitos oncológicos, que podem predispor a pessoa a ter mais tipos de câncer, a exemplo do câncer de próstata, câncer de mama e de tireoide.

“Você não consegue controlar qual é a dose segura. Também existem os efeitos psíquicos e psicológicos, em que a pessoa fica mais nervosa, mais agressiva. Além dos efeitos simples, que é a queda de cabelo, pruridão e vermelhidão de pele, aumento da pressão arterial. Isso tudo faz com que os hormônios sejam perigosos”, afirmou.

“Ele [Arlindo] também acrescentava essa questão do óleo mineral dentro da musculatura. Isso pode levar a gangrena, apodrecimento dos músculos e trombose também”, concluiu.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) também alerta que o uso, sem acompanhamento médico, de testosterona – comumente chamada de anabolizante – pode ser perigoso e causar danos irreparáveis no corpo humano. O uso da substância tornou-se um problema de saúde pública e os casos de complicações são cada vez mais frequentes.

A entidade cita como efeitos o aumento de acne, queda de cabelo, distúrbios da função do fígado, tumores no fígado, explosões de ira ou comportamento agressivo, paranoia, alucinações, psicoses, coágulos de sangue, retenção de líquido no organismo, aumento da pressão arterial e risco de adquirir doenças transmissíveis.

Em razão dos riscos, em abril de 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu a prescrição médica de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo. A decisão foi tomada em razão da inexistência de comprovação científica suficiente que sustente o benefício e a segurança do paciente.

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