Foto: Arquivo

Dom Ivo: infecção.

O arcebispo emérito de Santa Maria (RS), d. Ivo Lorscheiter, morreu ontem, aos 79 anos. Ele estava internado no Hospital de Caridade desde o dia 25 de fevereiro, com quadro de arritmia cardíaca e infecção generalizada. O enterro está marcado para hoje.

D. Ivo esteve à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no período mais duro do regime militar, os chamados anos de chumbo. Foi secretário-geral por dois mandatos consecutivos, de 1971 a 1979. Em seguida ocupou a presidência, até 1987. Ele, também, participou do Concílio Vaticano II.

O religioso era apontado por estudiosos da história da Igreja Católica como figura emblemática durante a ditadura. D. Ivo foi crítico sistemático das violações dos direitos humanos e era procurado pelas famílias dos desaparecidos políticos em busca de notícias na época.

O bispo foi o membro mais assíduo da Comissão Bipartite, que reuniu secretamente representantes da Igreja e militares, entre 1970 e 1974, para discutir os atritos entre eles.

D. Ivo desfrutou de prestígio no Vaticano até a ascensão, em 78, do polonês Karol Wojtyla, que sempre viu com desconfiança a Teologia da Libertação – pela qual se orienta a ala progressista da Igreja Católica.

Sobre as dificuldades nos anos da ditadura, disse uma vez: ?Para mim eram dificuldades normais. Como cristão, era meu dever defender os direitos humanos. Sempre senti que o povo confiava em nossas ações e nunca tive receio.?