Foto: Agência Brasil

José Serra: aposta certa de dez entre dez serristas.

Dez entre dez serristas opinavam ontem que o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), dirá hoje ao triunvirato que coordena a escolha do partido que aceita ser o candidato presidencial, mesmo sem a certeza de contar, de antemão, com o apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato a presidente. Serra sinalizou ao comando da legenda que não aceita ser candidato a governador e que só sairia da Prefeitura para concorrer à Presidência.

O presidente nacional da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), deu por encerradas as consultas na agremiação: ouviu todos os governadores e anteontem conversou com os principais líderes no Congresso. Jereissati definiu três pontos que devem ser atendidos na reta final da escolha do candidato tucano: 1) a unidade partidária é fundamental e todos no partido reconhecem isso; 2) a decisão não pode se arrastar mais, e 3) todos terão de acatar a decisão.

Hoje, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), pré-candidato à reeleição, amanhecem em São Paulo, para onde Jereissati viaja de manhã. No correr do dia, o triunvirato, que reassumiu a coordenação da escolha do candidato tucano, se reunirá com Serra e Alckmin.

A desistência de Serra de concorrer ao governo estadual reativou o favoritismo para a Presidência, reforçado por novidades dos últimos dias.

A principal delas é a manutenção da verticalização, que transforma a disputa presidencial no que o jargão político chama de ?eleição curta?, com forte tendência de virar um mano a mano entre PT e PSDB e de ser resolvida no primeiro turno, uma vez que uma candidatura do PMDB se inviabiliza. Numa ?eleição curta?, com chance de ser resolvida no primeiro turno, é indispensável que o candidato tenha vitalidade eleitoral no começo da campanha. Serra, sem estar na disputa, está em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A conclusão do comando partidário é que Alckmin tem chance contra Lula se houver o segundo turno, mas as oportunidades se reduzem numa disputa mano a mano, que tenha alta probabilidade de ser decidida no primeiro turno. O temor dos tucanos é que, se Lula disparar na frente, poderá haver nos estados a debandada de aliados, que, geralmente, acontece quando candidatos a cargos executivos não mostram viabilidade eleitoral no meio da campanha.

Ontem, pela primeira vez, Alckmin e Serra conversaram sobre candidatura, mas não chegaram a um acordo. ?Foi uma boa conversa. Estamos chegando ao epílogo?, contou Alckmin.