Brasilia (AG) – Sob fogo cruzado desde o início do governo Lula, o ministro da Saúde, Humberto Costa, diz que tem sido vítima da disputa política com a oposição e da desestabilização promovida por integrantes de seu próprio partido. A despeito disso, Costa não se abala e admite que, como a prioridade de sua gestão é enfrentar os grandes gargalos do atendimento na ponta, o trabalho desenvolvido vai demorar para ter visibilidade. Mas garante que está tranqüilo porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem todas as informações sobre as mudanças em curso.

"Reconheço os méritos do ministro José Serra. Mas qualquer dos nossos indicadores nestes dois anos é melhor do que de outros governos. As críticas ocorrem porque a oposição tem que atacar o governo. Há também a cobiça dos companheiros. A saúde tem o maior orçamento e a maior capilaridade, sempre tem gente que deseja vir para cá" diz Humberto Costa.

O ministro garante que a Saúde vai ser vitrine do governo em 2006, quando Lula disputará a reeleição. Os integrantes de sua equipe dizem que a grande marca da gestão petista na saúde é a racionalização administrativa. Com a criação da Secretaria de Vigilância de Saúde, pela primeira vez toda a área de prevenção e controle de doenças está organizada numa mesma estrutura.

O mesmo ocorreu com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, que reúne os 23 programas de medicamentos do SUS. O responsável pela área de prevenção de doenças, Jarbas Barbosa, está no governo desde 1997, quando foi nomeado diretor do Centro Nacional de Epidemiologia pelo ministro Carlos Albuquerque e mantido pelos sucessores: José Serra, Barjas Negri e Humberto Costa.

"Nossa política é aprofundar e consolidar conquistas no combate à dengue, a Aids, a malária, na erradicação do sarampo e nas campanhas de vacinação. Além disso, a prioridade da gestão é atacar a tuberculose e a hanseníase. Internacionalmente o Brasil tinha uma imagem de desleixo diante destas doenças" conta o secretário de Vigilância de Saúde, Jarbas Barbosa.

O setor de medicamentos também foi aprimorado nesta gestão. Os recursos para a distribuição gratuita cresceram de R$ 1,6 bilhão em 2002 para 2,7 bilhões neste ano e a projeção para 2005 é de um investimento de R$ 3,3 bilhões.