O ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, criticou nesta terça-feira (12) a lentidão da Justiça brasileira e a enorme possibilidade de recursos que adiam as sentenças e causam, segundo ele, a sensação de impunidade que há no País. Na apresentação de um seminário sobre combate à corrupção nesta terça-feira, em Brasília, Hage afirmou que é necessário rever a legislação sobre processo penal do País.

"Não tenho a menor dúvida da necessidade de revisão da legislação. Envolvidos em casos de corrupção têm recursos para pagar os melhores escritórios de advocacia. Enquanto bons advogados conseguirem prolongar por 10, 15 anos, até a prescrição de crimes, vai permanecer essa sensação de impunidade", disse. Segundo Hage, está nas mãos do Congresso uma série de leis que mexem no processo penal e diminuiriam a possibilidade de recursos. "Não estou nem falando de medidas do nosso governo. Estão lá desde o governo passado, parados. Não andaram nada", criticou.

Enquanto o foco do seminário, organizado pela Comissão Européia em associação com o governo brasileiro, será a prevenção dos casos de corrupção, Hage afirmou que a repressão – foco principal no Brasil hoje – também pode funcionar como prevenção. "O que eu sustento é que num País como o Brasil, que tem a cultura da impunidade arraigada há 500 anos e só agora se começa a mexer com ela, é importantíssimo usar a repressão como medida exemplar, educativa, capaz de agir como ação preventiva também", afirmou.