O ministro da Justiça, Tarso Genro, voltou a defender a ação da Polícia Federal no episódio da deportação para Cuba de dois atletas que haviam fugido da delegação nos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, durante depoimento nesta quinta-feira (23) na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Tarso negou que o Brasil tenha cedido a pressões do governo de Fidel Castro para capturar os atletas fugitivos – os pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara – e disse que a Polícia Federal agiu estritamente dentro da legalidade.

Segundo o ministro, os atletas tiveram toda a assistência jurídica e rejeitaram as ofertas de refúgio, manifestando o desejo reiterado de voltar para Cuba. Genro negou que tenha sofrido qualquer ingerência ou pressão indevida para forçar o retorno dos atletas, ocorrida dois dias depois. Para reforçar o argumento, Genro disse que três outros fugitivos que pediram refúgio continuam no Brasil livremente. "Se estivéssemos a serviço do governo cubano, faríamos um pacote completo com os cinco fugitivos – os dois que pediram para voltar e os três que pediram refúgio", acrescentou o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, presente à audiência.

Política

As explicações de Genro e Lacerda não convenceram o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da comissão. Ele acusou o governo brasileiro de ter cedido a pressões da "ditadura comunista" de Cuba. Disse que a deportação macula a imagem de Genro, pois, a seu ver, o governo brasileiro colocou a PF a serviço de um complô cubano para evitar uma fuga em massa dos atletas mandados ao Pan. "O ditador de Cuba, Fidel Castro, foi duríssimo e enquadrou o governo brasileiro, resultando na deportação dos atletas", atacou o senador.