O ministro do Comércio Externo de Cuba, Raúl de la Nuez, elogiou ontem o “excelente nível” das relações comerciais com o Brasil, ao comentar a participação brasileira na 20ª Feira Internacional Fihav/2002.
Os expositores brasileiros estiveram entre os que obtiveram medalhas de ouro na feira, onde participaram 915 empresas de 56 países, afora 500 cubanas, 16 missões governamentais e 42 de câmaras de comércio. Os negócios movimentaram US$ 62,1 milhões e os convênios de produção conjunta chegaram a US$ 8 milhões.
A delegação brasileira na Fihav/2002 incluiu executivos de indústrias e instituições comerciais; os empresários brasileiros chegavam a meia centena e se empenharam em explorar possibilidades de negócios com os cubanos.
De la Nuez assinalou que o comércio entre os dois países foi de US$ 160 milhões no ano passado e que as relações bilaterais incluem também investimentos diretos na produção e em serviços. Como exemplo, citou um acordo com o BNDES, que supera US$ 130 milhões. O banco citado forneceu a Cuba um crédito de US$ 15 milhões para importação de alimentos brasileiros. A proposta de Cuba é estender o acordo para 2003 e 2004.
Há outras linhas de crédito em exame. Uma delas, destinada às telecomunicações e no valor de US$ 63 milhões, está sendo negociada com a empresa mista cubana Cubacel, enquanto outra se destina à indústria de níquel. Para o ministro, “o importante é que os brasileiros mostraram interesse e disponibilidade para fornecer os créditos”.
Renato Sucupira, diretor do departamento de Exportação do BNDES, confirmou a oferta de crédito, destinado à aquisição de equipamento de telecomunicações, e adiantou a disposição do banco para fornecer novas linhas caso sejam necessárias. Com o dinheiro, a Cubanet comprará equipamentos da subsidiária brasileira da empresa sueca Ericsson.
Outros financiamentos do BNDES em Cuba irão para uma associação de empresas destinada à produção de etanol e para projetos de desenvolvimento da indústria do níquel.
Cuba e Brasil mantêm associações e outras formas de parceria em diversas áreas da indústria e dos serviços. Entre elas, destacam-se a empresa Busscar, de fabricação de ônibus para o mercado cubano e para exportação, e a Brascuba, que produz os famosos cigarros Populares de Hollywood.
O BNDES também abriu um crédito de US$ 25 milhões para a importação pelo Brasil de autopeças e componentes para ônibus fabricados em Cuba. E a Brascuba obteve três prêmios na feira que se encerrou ontem, nas categorias imagem integral, melhor desenho de produto e melhor desenho de stand.


