O vereador Milton Leite (DEM), eleito neste domingo, 1º, presidente da Câmara Municipal de São Paulo, assinou um documento em que abre mão do reajuste do seu salário neste ano. A medida causou surpresa, uma vez que o parlamentar foi um dos autores do projeto, aprovado em dezembro na Casa, que elevou o salário os vereadores de R$ 15 mil para R$ 19 mil. Apesar de aprovado o aumento, a Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) barrou no dia 20 de dezembro o reajuste por liminar (decisão provisória), atendendo ação popular ajuizada contra a Câmara.

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Leite negou que a sua posição seja incoerente. “Não tem nada de contraditório na minha posição. Renunciei ao aumento para dar exemplo aos demais”, afirmou em entrevista. Ele acrescentou que vai avaliar a decisão no fim do ano, considerando a situação econômica do País. “Se permanecer nesse estado de coisas, abriremos mão”, antecipou. Leite comentou também que em 2016 usou R$ 60 mil dos R$ 260 mil de verba a que tinha direito na Câmara. “Eu não posso ser cobrado por isso”, rebateu, ao ser questionado sobre a necessidade de corte de gastos diante da crise econômica.

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O vereador explicou que a votação do reajuste salarial dos parlamentares é um preceito constitucional, previsto para o fim do mandato parlamentar, o que justificou sua posição ao enviar a pauta para a votação no plenário da Casa. Agora, o recurso contra a impugnação do aumento salarial caberá à Procuradoria da Câmara Municipal, que terá que seguir a votação no plenário. “O aumento é constitucional. Uma vez que houve decisão do plenário, não se pode votar atrás. Cabe apenas ato unilateral dos vereadores, que podem abrir mão do aumento se quiserem’, justificou Leite.

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Doria

Leite rechaçou a possibilidade de que todos os projetos enviados pelo prefeito, João Doria (PSDB), serão aprovados automaticamente pelos parlamentares. “Essa é uma casa independente, onde se terá toda a oportunidade de debater os projetos. Aqui tem diversas linhas de pensamento”, afirmou, em entrevista a jornalistas.

O vereador, que é apontado como parte da bancada de apoio ao governo municipal, classificou sua relação com Doria como cordial e institucional. “Fico à disposição para dar a ele (Doria) a oportunidade de implementar o que definiu nas eleições, e dar oportunidade para que ele encaminhe seus projetos. A Câmara estará trabalhando e engendrando esforços para que dê respostas rápidas à sociedade e ao Executivo”, declarou.

Questionado, Leite disse também que o prefeito não interferiu na eleição para a Presidência da Câmara, que culminou na escolha de um parlamentar do DEM mesmo que o PSDB represente a maior bancada. “Ele (Doria) não fez gestão a favor de um ou outro candidato. Essa era uma condição que nós tínhamos na pré-eleição para eu apoiá-lo”, contou Leite.

Votação

O vereador Milton Leite (DEM) foi eleito neste domingo, 1º, presidente da Câmara Municipal de São Paulo com 50 votos. Também concorreram ao cargo Sâmia Bonfim (PSOL), que recebeu dois votos, e Mario Covas Neto (PSDB) e Janaína Lima (Partido Novo), com um voto cada um. Todos os 55 vereadores estavam no plenário e houve uma abstenção.

A eleição para a presidência da Câmara causou a primeira discórdia na bancada de apoio do prefeito João Doria (PSDB). Isso aconteceu porque o vereador tucano Mario Covas Neto, que é presidente do diretório municipal da sigla, defendeu a indicação de um nome do próprio PSDB para a presidência da Casa sob a justificativa de que o partido tem a maior bancada. No entanto, ele não recebeu apoio dos colegas de partido, que fecharam com Milton Leite. O vereador do DEM recebeu votos, inclusive, de partidos da oposição, como o petista Eduardo Suplicy. “Não sairei como derrotado. A vergonha, muitas vezes, fica com os vitoriosos, e o orgulho passa para o lado dos vencidos”, disse Covas Neto em discurso após o resultado da eleição.

Também foi eleito hoje o vereador Eduardo Tuma (PSDB) para o cargo de primeiro vice-presidente. Ele foi candidato único ao cargo e teve 51 votos a favor e 1 contra, além de uma abstenção. A vereadora Edir Sales (PSD) foi eleita segunda vice-presidente, com 51 votos favoráveis, 1 contra e três abstenções. Ela também foi candidata única. Os cargos de primeiro e segundo secretário ficaram, respectivamente, com Arselino Tatto (PT) e Celso Jatene (PR).