Brasília

– Preocupados com as declarações do ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, que quer incluir o pessoal das Forças Armadas no Sistema Único de Previdência, os militares começaram a preparar estudos para defender a manutenção da aposentadoria integral. A idéia é mostrar aos mais diversos segmentos do novo governo e do Congresso as peculiaridades da carreira, informando até mesmo que, em diversos países pesquisados, como México, Portugal, Chile, Peru, Venezuela, Bolívia, Paraguai, China, França e Alemanha, entre outros, todos têm um sistema previdenciário diferenciado para as Forças Armadas. Anteontem, ao apresentar a proposta de previdência única, com regras iguais para todos os trabalhadores públicos e privados, civis ou militares, Berzoini criou uma grande inquietação, seguida por insatisfação nos quartéis. Os militares, no entanto, esperavam que propostas desse gênero fossem apresentadas. Pela proposta de Berzoini, ao passar para a reserva, os militares deixariam de receber os salários integrais e teriam os vencimentos reduzidos para o teto comum do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que é de R$ 1.561,00. Para elevar este teto, seria necessária a contribuição para uma previdência privada. Só que a proposta de Berzoini não é consenso nem dentro do partido e muito menos dentro do governo, que é formado por aliança de vários partidos. Ao justificar as peculiaridades da profissão, os militares apontam a obrigatoriedade de dedicação exclusiva, as constantes e também compulsórias transferências para qualquer ponto do País, a disponibilidade permanente durante 24 horas do dia, sem compensação financeira, o risco de vida, a determinação de cumprir um regulamento disciplinar, mesmo quando deixam o serviço ativo e a exigência de manutenção de elevado nível de saúde física e mental e rigorosa e diferenciada formação profissional, com imposição de constante atualização e aperfeiçoamento em cursos e estágios.
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