Mercosul e UE reúnem-se em Lisboa

Rio – A 23 dias da posse do novo comissariado da União Européia (UE) e do fim do prazo para um acordo de livre comércio com o Mercado Comum do Sul (Mercosul), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, anunciou ontem a realização de um encontro político entre representantes do Mercosul e o comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy, dia 20, em Lisboa. “Há grande interesse. A disposição é tão positiva que, além da presidência (do Mercosul), os quatros chanceleres (do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) estarão presentes”, afirmou, ao lado dos colegas estrangeiros, após reunião no Hotel Copacabana Palace, no Rio.

Amorim afirmou que, para os quatro países, além dos aspectos comercial e econômico, as negociações com a UE são estratégicas do ponto de vista político. A sondagem para a reunião partiu de Portugal, que, a partir do dia 1.º, estará representado na presidência da Comissão Européia pelo ex-primeiro-ministro João Manuel Durão Barroso.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil informou que, na capital portuguesa, o Mercosul apresentará um documento indicando as principais deficiências da proposta européia e as condições mínimas para um entendimento imediato, hipótese hoje considerada remota. Amorim classificou a última oferta da UE como “inaceitável”. Os europeus também reclamam do Mercosul. “Será um documento curto, de duas páginas, não-técnico, no qual exporemos nossa visão da oferta européia e suas insuficiências principais”, disse, sem fornecer detalhes. A UE propôs ampliar cotas quantitativas de importação para produtos agropecuários, mas excluiu o açúcar, do qual o Brasil é o maior produtor e exportador mundial. As quantidades máximas permitidas de importação de carne também foram consideradas insatisfatórias.

Ele disse que, se as condições mínimas do Mercosul forem aceitas, o bloco sul-americano examinará a possibilidade de ceder em “um ou outro ponto” do pacto. “Não temos moedas na gaveta. Estamos oferecendo tudo no limite. Podemos ver se ainda há margem para uma flexibilização adicional, se as condições mínimas se confirmarem.” Amorim, porém, ressaltou que a margem é restrita e não adiantou o que será oferecido pelo Mercosul.

“A hipótese mais favorável é a de que, a partir do dia 20, passemos a ter reuniões técnicas. A pior é deixar tudo sem um horizonte claro”, observou. No dia 16 os representantes do Mercosul estarão em Brasília para elaborar o documento a ser apresentado em Lisboa. Participaram da reunião, ontem, os chanceleres da Argentina, Rafael Bielsa, do Uruguai, Didier Opertti, e do Paraguai, Leila Rachid.

No lado de fora do local onde os ministros se reuniram, um grupo de militantes de esquerda protestou contra a criação de uma zona continental de comércio, nos moldes proposto pelos Estados Unidos. Os manifestantes protestaram soltando galinhas e distribuindo milho para elas.

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