Os resultados do HSBC Holdings, um dos três maiores bancos privados do mundo, retratam o novo quadro econômico global. A instituição conseguiu o maior lucro bruto de sua história em 2007 graças ao desempenho dos mercados emergentes, que passaram a ser o foco da estratégia do banco. Os ganhos obtidos na Ásia e América Latina compensaram as fortes quedas registradas nos Estados Unidos, onde por pouco o banco não amargou prejuízo, e as baixas contábeis de US$ 2,1 bilhões provocadas pela exposição ao crédito de segunda linha (subprime), mercado de hipoteca de alto risco responsável pela crise atual.
"Conseguimos resultados recorde mesmo em um ambiente desafiador" afirmou nesta segunda-feira (3) o presidente do conselho de administração do grupo Stephen Green, em entrevista coletiva à imprensa em Londres. "Tivemos um desempenho excepcional nos mercados de rápido crescimento.
O lucro antes dos impostos do HSBC cresceu 10%, para US$ 24,2 bilhões. Desse valor, US$ 8,5 bilhões vieram da Europa (35,5% do total), US$ 7,3 bilhões de Hong Kong (30,3%), US$ 6,0 bilhões do restante da Ásia (24,8%), US$ 2,1 bilhões da América Latina (9%) e apenas US$ 91 milhões dos EUA (0,4%).
Brasil
Impulsionado pela valorização do real, a participação do Brasil no resultado global do HSBC subiu de 2,4% em 2006 para 3,6% no ano passado. Apesar do aumento, o porcentual ainda é baixo para uma instituição global, presente em 83 países, que tem como foco o crescimento nos mercados emergentes. Especialmente porque, se excluído o efeito do câmbio, a contribuição do País cai para cerca de 3% do lucro antes dos impostos em 2007.
"Não nos preocupamos com o tamanho. Desde que o negócio dê retorno, estamos felizes", afirmou o presidente-executivo do grupo Michael Geoghegan, em entrevista exclusiva a jornalistas brasileiros em Londres. "É a qualidade dos clientes que faz a diferença.
Atualmente na quinta posição do ranking brasileiro, o HSBC enfrenta constantemente questionamentos sobre a falta de agressividade no País, principalmente depois da compra do ABN Amro Real pelo Santander. Geoghegan, responsável pela implementação do banco no Brasil há cerca de 11 anos a partir da aquisição do Bamerindus, avalia que um banco estrangeiro não deve ser o maior de um país e defende um balanço com as instituições locais.
"O Santander se expande comprando outros bancos e o nosso crescimento é orgânico", disse. "Além disso, os bancos brasileiros não estão baratos e não adquirimos nada no topo dos preços, esperamos uma correção.