Em Minas Gerais, menos de 150 dos 853 municípios do estado têm uma defesa civil atuante e preparada para enfrentar desastres como os que estão sendo causados atualmente pelo excesso de chuvas na região. “Os outros (municípios) têm defesa civil no papel ou nem têm”, afirmou neste sábado (20) o diretor de comunicação da Defesa Civil no estado, capitão Edilan Arruda.

Em entrevista à Rádio Nacional, ele disse que as ações de prevenção da Defesa Civil cabem às prefeituras e que o órgão estadual deveria ser chamado somente quando algum desastre ultrapassasse a capacidade do município. Mas não é isso que acontece. “A dificuldade é que os prefeitos não têm a capacidade, a força política, de criar sua defesa civil municipal. Com isso, fica uma cidade despreparada, não só para o desastre de chuva mas para todo e qualquer desastre.”

O trabalho preventivo da Defesa Civil é fundamental para que a população e o poder público dêem uma resposta ágil no momento do desastre.

Segundo o capitão Arruda, quando se mapeia a área de risco, pode-se fazer a prevenção, tentando tirar as famílias do local. “Se isso não for possível, deve-se alertar aquelas pessoas, prepará-las para aprender a conviver com isso, saber sair na hora certa. Todo esse trabalho que é feito antes ajuda muito na hora da resposta, porque a cidade já estará preparada, as pessoas já saberão o que fazer. Abandonarão suas casas e terão menos prejuízo.”

Para tentar diminuir a defasagem da maioria dos municípios, ele recomenda que a população exerça pressão política e cobre seus prefeitos. “Do mesmo jeito que se quer uma secretaria de Saúde ou de Educação bem montada, que a sociedade também cobre do prefeito uma Defesa Civil atuante”, afirmou o capitão.

“Quanto mais atuante e preparada for a Defesa Civil do município, mais ações de prevenção vão fazer e mais a comunidade vai estar preparada para receber não só o desastre das chuvas, mas qualquer desastre”, enfatizou.