A menina de 10 anos que morreu durante tiroteio na região do Ipiranga, zona sul de São Paulo, ontem, será enterrada às 8h de amanhã. A cerimônia será realizada no cemitério Quarta Parada, na zona leste da capital paulista.

Amanda Ferrão Martinho foi atingida por uma bala perdida em uma troca de tiros entre um bombeiro e dois suspeitos de roubo por volta das 21h de ontem. Um segurança que trabalhava na região também ficou ferido.

Um bombeiro, acompanhado da mulher e de dois filhos, estava em uma camionete parada em um farol na avenida Juntas Provisórias, no sentido centro, quando percebeu que um adolescente e um homem em uma moto tentavam roubar o carro da frente. O motorista acelerou e fugiu.

Segundo a Polícia Militar, quando o bombeiro viu que os suspeitos vinham em sua direção, reagiu e trocou tiros. Um dos suspeitos, um adolescente de 16 anos, foi baleado e levado pelos policiais ao pronto-socorro Heliópolis, onde morreu. O outro abandonou a moto e fugiu a pé.

Na troca de tiros, uma menina que estava em um Volkswagen Gol com a família foi atingida na cabeça por um tiro. Ela foi levada pelo próprio pai ao pronto-socorro Ipiranga, mas não resistiu ao ferimento e morreu. Um segurança que passava de moto pelo local também foi atingido nas costas e levado ao pronto-socorro Heliópolis. Um dos criminosos foi baleado e morreu no hospital. Policiais à paisana que passavam pelo local prenderam o suspeito, que havia fugido, na pista oposta da avenida Juntas Provisória, no sentido bairro. A PM não apreendeu nenhuma arma com o homem preso.

Segundo a polícia, o suspeito disse que durante a fuga jogou uma arma calibre 32 em um córrego próximo. A PM fez buscas próximo ao córrego e nenhuma arma foi encontrada.

O caso foi registrado no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) que vai investigar de qual arma partiu os tiros que mataram a menina e feriram o segurança.

O adolescente morto tinha passagem por roubo e esteve internado por dois meses na Fundação Casa, de acordo com a mãe. O suspeito preso têm passagem pela polícia por receptação.

Ajuda federal

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e a presidente Dilma Rousseff (PT) começaram a negociar na última quinta-feira estratégia conjunta para conter o avanço da violência no Estado. Por telefone, Dilma sugeriu a Alckmin que fosse traçado um plano integrado de segurança pública.

Entretanto, como a Folha de S.Paulo publicou na sexta-feira, Alckmin deve rejeitar a proposta do governo federal de deslocar tropas do Exército para ocupar áreas críticas de São Paulo, como a favela Paraisópolis, na zona sul.

Na conversa com a presidente, o governador disse que não quer o Exército e que acha que a situação de São Paulo é bem diferente da que motivou a ocupação militar do Complexo do Alemão, no Rio.

Mas ele não descartou de imediato. Ficou de analisar a proposta e trata-la dentro da discussão para elaborar uma estratégia conjunta. Em um primeiro momento, o governo federal cogita oferecer tropas federais, tanto do Exército quanto da Força Nacional de Segurança.

A última vez que os governos federal e estadual fizeram um acordo para empreender estratégia conjunta na segurança pública em São Paulo foi em agosto de 2006. Na época, a facção criminosa PCC impunha há três meses uma onda de ataques contra a polícia paulista.