Rio – Preservado, degradado ou em toda a sua plenitude, o meio ambiente e seus elementos ? terra, ar, fogo e água ? estão presentes direta ou indiretamente no enredo de pelo menos cinco escolas de samba ? Império Serrano, Mangueira, Salgueiro, Tradição e Portela ? entre as 14 do Grupo Especial, que desfilam nos dias 6 e 7 de fevereiro no Sambódromo. A pouco mais de um mês para o desfile, o trabalho nos barracões segue acelerado para compensar o tempo parado com as festas de fim de ano.

Nem tudo será verde na avenida. A bicampeã Beija-Flor e a Vila Isabel vão cantar enredos baseados em fatos históricos, enquanto Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense ingressam num mundo de sonhos e contos de fada. A Mocidade Independente de Padre Miguel vai revelar a influência italiana na cultura brasileira, enquanto a Grande Rio vai mostrar o comportamento humano diante de uma mesa farta.

A alegria está garantida, com a Viradouro falando sobre o poder do sorriso na avenida. Caprichosos de Pilares, com uma homenagem aos 20 anos da Liga das Escolas de Samba (Liesa), promete reviver o melhor do Carnaval. O que, aliás, a Porto da Pedra também pretende fazer, com a reedição do enredo "Carnaval – Festa profana", defendido pela União da Ilha em 1989.

A Beija-Flor de Nilópolis decidiu investir na saga dos Sete Povos das Missões, fundado por jesuítas no Sul do País durante o século XVII. Com enredo histórico, a comissão de Carnaval formada por Fran-Sérgio, Laíla, Xangai, Ubiratan Silva e Cid Carvalho quer repetir o feito da década de 70, quando conquistou o primeiro tricampeonato (de 76 a 78).

Retornando ao Grupo Especial, a Vila Isabel está embarcando no talento de Joãosinho Trinta para contar a história da navegação.

Correndo por fora, na expectativa do primeiro lugar, vem a Unidos da Tijuca, que em 2004 conquistou com brilhantismo o vice-campeonato. A escola passou de zebra a favorita, ao mudar a sua concepção de desfile. Mas que ninguém pense que o carnavalesco Paulo Barros se sente pressionado pelo sucesso. Ele garante que vai apresentar na avenida um enredo sem subterfúgios.

"Um enredo que é compreendido, mas sem medo de ousar. Que ninguém espere repetições. Estou no meu momento e quero aproveitá-lo", disse Barros, que mais uma vez vai usar a criatividade para, baseado no livro Dicionário de lugares imaginários falar sobre Oz, Atlântida e Shangrilá, entre tantos outros lugares imaginários. O mundo do faz de conta, de fadas e fábulas também é o tema da Imperatriz Leopoldinense. A carnavalesca Rosa Magalhães imaginou o Sambódromo como cenário do encontro de personagens do dinamarquês Hans Christian Andersen e Monteiro Lobato.

Rainhas morenas ou mulatas

Rio – É da cor do pecado o Carnaval 2005: numa coincidência inédita na história da folia pós-Sambódromo, as 14 escolas do Grupo Especial terão rainhas de bateria morenas ou mulatas. Uma onda sentida na pele por louras como Ana Cláudia Soares e Nana Gouvêa, que cederam a coroa para as morenas Carol Castro e Luma de Oliveira no Salgueiro e na Caprichosos. A Portela manteve o tom de raiz, mas trocou a veterana Tia Dodô pela ex-globeleza Valéria Valenssa. E, na Grande Rio, o que mudou foi justamente o tom da raiz. Do cabelo da madrinha Deborah Secco, em seu segundo ano no posto. Por causa da próxima novela das oito, ela deixou o louro-Darlene de 2004 e sambará com madeixas castanhas.

"Estamos com tudo", diz Juliana Paes, que dará bis como rainha da Viradouro.

A estreante Carol Castro, a Angélica de "Senhora do destino", assina embaixo. Embora a coroação esteja marcada para o próximo sábado, ela não perde um ensaio de quadra desde que foi anunciada, há dois meses. E fez bonito no primeiro treino técnico na Sapucaí, no início de dezembro. "Nunca senti uma energia tão forte na minha vida", disse.