Três médicos de São Paulo poderão ir a júri popular pela acusação de terem transplantado um fígado para uma paciente sem que, supostamente, o órgão estivesse em condições para cirurgia. O transplante foi realizado em maio de 2003, no Hospital Albert Einstein, um dos mais conceituados do País. A paciente, uma mulher de 56 anos, morreu seis meses depois.

Os médicos Sérgio Mies, Paulo Celso Bosco Massarollo e Carlos Eduardo Sandoli Baía são acusados de homicídio doloso – teriam consciência dos riscos de transplantar um fígado que estaria em más condições. Os três réus alegaram que o órgão doado estava em condições para a cirurgia.

Mies assumiu a chefia dessa equipe médica quando Silvano Raia – o pioneiro nos transplantes de fígado no Brasil – se aposentou. A equipe, que começou no Hospital das Clínicas da USP, já fez mais de mil transplantes. Mies e Baía estão hoje no Hospital Dante Pazzanese. Massarollo foi para a Santa Casa de São Paulo.

As acusações não envolvem o Einstein. O hospital informou que ?a decisão de aceitar ou rejeitar um órgão (…) é de única e exclusiva responsabilidade do médico que inscreve o paciente na lista?. A equipe não trabalha no hospital desde o começo deste ano.

Após a morte, parentes da mulher procuraram o Ministério Público do Estado de São Paulo e o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). ?A minha irmã não voltará, e nada apagará o sofrimento dela nem o meu. Mas espero que outras pessoas não passem pela mesma dor?, afirmou Clicia Fentanis. Ela pediu que o nome da irmã não fosse publicado. O Cremesp abriu procedimento administrativo. O Ministério Público se baseou em investigações da polícia e apresentou uma denúncia, que foi aceita pela Justiça. A ação penal foi aberta no fim do mês passado pelo juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, do 5º Tribunal do Júri. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.