Um dia após a operação policial e o tiroteio em que foi morto um adolescente de 13 anos, o policiamento na favela de Manguinhos, na zona norte do Rio, foi reforçado nesta quarta-feira, 9. O objetivo da Polícia Militar (PM) é evitar novos confrontos com criminosos, como o ocorrido na terça-feira, e prevenir protestos como os que costuma ocorrer em favelas quando moradores são mortos em ações da polícia.

Cristian Soares Andrade jogava futebol com amigos quando foi baleado na barriga, de acordo com a versão dos moradores. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu em hospital na zona norte. O menino foi atingido durante troca de tiros entre criminosos e policiais civis e militares. Ainda não se sabe de onde partiu o tiro fatal.

A Divisão de Homicídios do Rio e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil promoviam, com apoio de policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, uma operação para tentar prender quatro homens acusados de participar da morte do soldado Clayton Fagner Alves Dias, que trabalhava na UPP de Manguinhos. Alves Dias foi assassinado a tiros na Ilha do Governador, bairro na zona norte carioca onde morava em 28 de abril passado, durante uma folga.

Um suspeito de envolvimento com o crime já havia sido preso na última sexta-feira. A operação de terça-feira foi realizada para prender os demais acusados. A polícia conseguiu deter um deles, mas os outros três estão foragidos e, segundo a Polícia Civil, participaram do tiroteio. Após a morte de Cristian, moradores fizeram um protesto e chegaram a interditar a avenida Leopoldo Bulhões, principal via do bairro.

O delegado Rivaldo Barbosa, chefe da Divisão de Homicídios, esteve hoje no Instituto Médico-Legal (IML) do Rio para saber se algum projétil foi encontrado no corpo do adolescente. Serviria para identificar o tipo de arma de onde partiu o tiro, mas nenhuma bala foi encontrada. Policiais civis já foram ouvidos. Depois que os todos os PMs prestarem depoimento deverá ser realizada a reconstituição do crime.

O corpo do adolescente foi sepultado hoje no cemitério do Caju, na zona norte. Muito abalada, a mãe, Janaína Soares, chegou a desmaiar. Segundo o delegado, Cristian já havia sido detido quatro vezes pela polícia duas por roubo e duas por furto.