Brasília – Assim como fez no primeiro ano de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). O presidente deverá repetir em Davos a tônica do discurso feito em setembro na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York: vai defender maior equilíbrio entre os países, atacando duramente as barreiras protecionistas e a concentração de investimentos nos países mais ricos. Mas também pretende apresentar a líderes políticos e empresariais, em encontros paralelos, as oportunidades de negócios no País e as Parcerias Público-Privadas (PPPs).

O presidente participará de uma mesa-redonda com ministros da Fazenda do Reino Unido, França e Itália e com o presidente da Microsoft, Bill Gates, sob o tema "Financiando a guerra contra a pobreza".

A quinta edição do Fórum Social Mundial (FSM) começa na próxima quarta-feira, em Porto Alegre, com recorde de público e um desafio: sair da teoria para a prática. Desde 1999, os manifestantes antiglobalização, conhecidos como "o povo de Seattle" se juntaram em seus protestos por Praga, Davos, Gênova e se consolidaram como um movimento dos movimentos no FSM, criado em 2001, no Brasil. Muito mudou. Em lugar da antiglobalização, o movimento defende agora an other globalization, ou seja, uma outra forma de globalização, com propostas antineoliberais. Muito se falou nas últimas quatro edições pela voz de teóricos como o norte-americano Noam Chomsky ou o egípcio Samir Amin. Ou mesmo pelas figuras de políticos como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O Fórum Social Mundial se tornou uma grande reflexão política. Não é o cara tocando violão na porta do parque dos anos 70s. Com os protestos e o primeiro FSM já conseguimos mudar Davos (o Fórum Econômico Mundial): hoje você lê o site deles e vê que se parece com o do MST. Agora a novidade é a metodologia do Fórum Social. Ela resultará em planos de muita ação", avalia Oded Grajew, idealizador do FSM e ex-assessor especial de Lula.

Menos vitrine, mais propostas

Porto Alegre – Um dos fundadores do Fórum Social Mundial, Chico Whitaker, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), diz que nesta edição os organizadores buscarão uma "dinâmica de ação" para uma nova cultura política: "os intelectuais não ficarão na vitrine. Além de debates, teremos mais propostas", disse. "O Território Social Mundial, o espaço em que o FSM acontecerá, será um laboratório de opções para um mundo mais sustentável e socialmente justo, nos moldes do slogan Outro mundo é possível, apresentando propostas de bioconstrução, moeda alternativa e cooperativismos", afirmou Whitaker. Para pôr em prática suas principais idéias – o fim do imperialismo norte-americano, das guerras e da concentração de renda, o fórum precisa se popularizar, dizem os organizadores.

Encontro paralelo atrai empresários

Davos – Sob a proteção de 5.500 soldados do Exército suíço, a reunião anual do Fórum Econômico Mundial, o mais importante encontro de líderes empresariais e políticos do mundo, na estação de esqui de Davos, na Suíça, começa na próxima quarta-feira sob o tema "Assumindo responsabilidades para escolhas duras". Quem vai abrir o encontro é o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que foi acusado de fazer "a escolha irresponsável" ao optar por invadir o Iraque, ao lado de George W. Bush. Desde o último fórum, estouraram vários escândalos sobre a guerra, inclusive de torturas na prisão de Abu Grhaib. O presidente Lula é um dos 23 chefes de estado e de governo confirmados para participar do encontro, que terá 2.250 participantes de 96 países e mais de 200 sessões, uma delas dedicada ao Brasil. Outros são: o novo líder da Ucrânia, Viktor Yushchenko, os presidentes da República TCheca, Vaclav Klaus, e da África do Sul, Thabo Mbeki, além de personalidades de países que estão na mira de Washington, como o Irã. O presidente Lula terá 30 minutos para falar no principal plenário do fórum, no dia 28. Será a ocasião para conquistar a ávida platéia de executivos das grandes empresas. Em 2003, logo após sua vitória nas urnas, o presidente se viu diante uma platéia de desconfiados que, na sua maioria, haviam apostado contra sua eleição. Saiu elogiadíssimo, após deixar claro que seu projeto passava por colocar ordem nas contas, com disciplina fiscal e monetária. É o tipo de discurso que os participantes de Davos adoram. Agora, dois anos depois, Lula vai falar dos resultados e testar a reação. Mais de 50% dos participantes do fórum são empresários.

O governo brasileiro não perdeu tempo e está organizando um encontro paralelo com empresários, num esforço para atrair mais investimentos para o País. Lula virá a Davos acompanhado de quatro ministros: Antônio Palocci, da Fazenda; José Dirceu, da Casa Civil; Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; e Celso Amorim, das Relações Exteriores. Além deles, virá o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.