São Paulo (AG) – O presidente nacional do PT, José Genoino, disse que não vê mais a possibilidade de acordo com o PSDB. Segundo ele, isso poderia ter acontecido em 1993 e 1994, mas os tucanos decidiram se aliar à direita e ao PFL para disputar as eleições. Em entrevista, Genoino conta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a presença de candidatos a prefeito em seu palanque, mas não descartou a possibilidade de gravar participações para os programas eleitorais.

“O que o partido combinou com o Lula é que ele não vai fazer campanha de palanque, comício, carreata nem caminhada. As ações de governo não terão no palanque candidatos a prefeituras. A não ser que já seja o prefeito, mas sem campanha”, explica Genoino. Em relação as declarações de José Dirceu e João Paulo Cunha sobre a reeleição de Lula, ele opina que “são declarações pessoais, é a opinião de cada um. Quando a gente ganha alguma coisa, temos que ser mais humildes e prudentes, não aceitar provocações. Os adversários estão nervosos e isso é natural. Eles estão sem rumo para fazer oposição, mas vão se acertar. Quando a gente é governo um dia vale uma semana e uma semana vale um mês”.

Na avaliação do presidente petista, uma reaproximação com o PSDB “é coisa do passado”. “A oportunidade disso era em 1993 e 1994. Como o PT fez o seu movimento e o PSDB foi com o PFL. Agora o PSDB é oposição, vai disputar contra nós, e isso é legítimo. Mas tem setores com quem vamos manter uma relação civilizada, que não serão tratados como adversários. O PT não vai tratar a oposição em bloco”.

No balanço de um ano e meio de governo Lula, ele avalia que “o PT aprendeu a ter noção do processo nas mudanças, que a gente não poderia ir tão rápido como esperava. Aprendemos que o corporativismo muda de lado com a maior facilidade. Ele era amigo do PT e virou nosso adversário”.

Perguntado sobre os momentos mais críticos, ele diz que “não fizemos nada de que precisemos pedir desculpas para o povo. Levamos várias porradas. O caso Waldomiro foi uma, o não-crescimento do País em 2003 foi outra. A saída de alguns parlamentares, também. Mas o PT é um partido de esquerda. Não estamos mudando nosso programa nem nosso estatuto e mantemos o compromisso com os valores do socialismo democrático e humanista, que é a radicalização da democracia. Diziam que o PT ia se desfigurar nessa eleição, mas a média de filiação dos nossos candidatos nas grandes cidades é de 15 anos. O PT é mais longo do que o governo. O governo é de quatro anos e o PT é um projeto histórico”.