Brasília  – Com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, a cúpula do Partido da Social – Democracia Brasileira (PSDB) reuniu-se ontem em Brasília na casa do presidente da Câmara dos Deputados e governador eleito de Minas Gerais, Aécio Neves.

No final do encontro, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um dos porta-vozes do encontro, acontecido em torno de almoço, declarou que a população espera que haja colaboração com o governo que está começando e que o PSDB fará uma oposição “construtiva e fiscalizadora”.

“O governo que está começando precisa ter confiança, credibilidade e todo mundo tem a obrigação de ajudar”, disse Alckmin. O governador de Goiás, Marcone Perillo, disse, por sua vez, que o PSDB apoiará todos os projetos do presidente eleito, que forem importantes para a reforma e para as mudanças, sobretudo no aspecto legislativo. Perillo acrescentou que a proposta de reajuste do salário mínimo para R$ 240,00 será defendida pelo partido de forma diferente da que a oposição teve com relação ao governo Fernando Herinque Cardoso.

Mínimo

“Se é insustentável a questão do salário mínimo, nós vamos ter que discutir com base na realidade do País. Nós não queremos criar nenhuma armadilha para o futuro governo”, frisou Perillo. O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou para o encontro com uma hora de atraso e, na saída, não fez qualquer comentário. O ex-presidenciável, senador José Serra, e os sete governadores eleitos do partido também discutiram os rumos do PSDB no futuro governo de Lula.

A bancada do partido no Congresso está tentando formar uma aliança de oposição ao acordo feito no início da semana entre o PT e o PMDB, mas encontra dificuldades. O motivo é que o PMDB tem a maior bancada do Senado (19 senadores) e a terceira maior na Câmara (73 deputados) e já definiu que acompanhará o PT nas votações.

PSB critica posição do PT

Brasília (AE) – A base política do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou a pressão pelo reajuste do salário mínimo de R$ 200 para R$ 240. Depois do PL e do PC do B, foi a vez de o PSB manifestar insatisfação com o recuo do PT em relação à proposta de dar um aumento superior ao previsto no Orçamento para 2003, pelo qual o mínimo iria para R$ 211. “Para recompor o salário mínimo, como prometeu o PT na campanha eleitoral, não podemos nos contentar com os R$ 211. Há dinheiro para pagar mais”, disse ontem o deputado Eduardo Campos (PSB-PE), neto do presidente nacional do partido, o ex-governador Miguel Arraes.

Segundo ele, o PSB defendeu, durante a campanha, um mínimo de R$ 280 a partir de abril do próximo ano. Porém, nas negociações entre o PT e o PSB para que fosse fechado o apoio de Anthony Garotinho (PSB) a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais, o partido de Arraes aceitou as argumentações do presidente nacional do PT, José Dirceu, de que era impossível elevar o salário para tal valor por insuficiência de receita. “Dirceu disse que, num primeiro momento, não seria viável dar aos trabalhadores um mínimo de R$ 280, mas ele garantiu que o PT iria batalhar pela recuperação salarial. Penso que, diante disso, o mínimo não pode ficar em R$ 211”, declarou Campos.

Queixa

O PC do B e o PL têm a mesma queixa. Na avaliação de integrantes do PL, partido do vice-presidente eleito José Alencar, seria uma incoerência o PT abandonar a proposta do mínimo de R$ 240 defendida durante a discussão da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Ontem, a bancada do PL se reuniu para debater o assunto. Ao final do encontro, não fechou questão, dando apenas um voto de confiança ao PT. “Quando o PT fechar posição em relação ao salário, a bancada vai julgar se dará apoio ou não”, declarou o deputado bispo Rodrigues (PL-RJ). Segundo o deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG), basta uma decisão política do PT para garantir um mínimo superior aos R$ 211.

Posse pode ser adiada

Das agências – O presidente da Câmara Federal, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), disse ontem em Brasília que é possível aprovar, ainda antes do final do ano, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que muda a data da posse do presidente da República de 1.º de janeiro para 6 de janeiro e de governador de 1.º de janeiro para 5 de janeiro. A proposta já está tramitando na comissão especial da Câmara, que deverá apresentar um parecer sobre a matéria nos próximos dias. Autor da proposta, o presidente da Câmara afirmou que a PEC deverá ser aprovada na comissão em dez dias. Depois, caso esta previsão se confirme, seguirá para o plenário da Câmara. Mas, depois de votada em dois turnos na Câmara, caso seja aprovada, a Proposta de Emenda Constitucional terá de passar pela mesma tramitação no Senado para só depois ser promulgada.

De acordo com o deputado tucano, no entanto, a mudança da data da posse só será possível por meio de um consenso de todos os partidos no Congresso, o que possibilitaria uma tramitação rápida da emenda. “Eu sempre achei algo absolutamente fora de propósito, mas temos essa posse no dia 1.º de janeiro. É imprópria a data. Ainda há tempo hábil para isso”, disse Aécio, argumentando que, no caso de a cerimônia ser mudada para o dia 6, haveria maior facilidade para a presença de chefes de Estado estrangeiros em Brasília.

Tucanos

Aécio Neves disse ainda, ao comentar a reunião do presidente Fernando Henrique Cardoso com governadores e líderes do PSDB, que “os tucanos afinaram o bico, aqui”. Ele relatou não ter constatado, durante o encontro, divergências profundas entre os participantes e considerou este o momento adequado para o PSDB “reciclar-se e rediscutir seu programa e suas propostas”.

“O PSDB está e estará na oposição, não porque tenha escolhido, pois nenhum partido escolhe estar na oposição. Estamos na oposição porque perdemos as eleições e devemos ter humildade de reconhecer isso”, afirmou Aécio Neves.