O "afago" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o recente elogio "à democracia" chavista voltaram a provocar manifestações nesta sexta-feira (16) no Senado, apesar do baixo quórum. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), afirmou que Lula "se precipitou" ao sair em defesa de Chávez na polêmica com o rei da Espanha, Juan Carlos.

Durante reunião da cúpula Ibero-Americana, no Chile, Juan Carlos recomendou que Chávez se calasse. "O silêncio de Lula seria a melhor opção", avaliou Fortes. O senador, porém, lamentou o fato de Lula freqüentemente sair em defesa do colega venezuelano. E ironizou: "Já é tradicional esse afago do Lula para com o Chávez e do Chávez para com o Lula.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) também fez críticas. "Democracia pressupõe instituições fortes, liberdade de imprensa. Esses elementos existem na Venezuela? Eu não consigo enxergar", afirmou. Pegando a Venezuela como mote, Cavalcanti ainda usou o plenário na sessão de hoje para alertar que o Brasil deve preparar-se para defender suas fronteiras.

Cavalcanti disse que enquanto a Venezuela prepara-se para defender sua fronteira, o Brasil diminui seu orçamento militar. Ele lembrou ainda que o Brasil perdeu parte de seu território para a Guiana Inglesa em 1899, quando a Venezuela, "que disputava com a Inglaterra a região a oeste do rio Essequibo, não aceitou o domínio inglês".

"Não se pode dizer que foi o Chávez que inventou (essa situação) porque há muitas décadas, talvez quase um século, a Venezuela não aceita essa área como sendo da Guiana. O governo brasileiro faz o inverso. O Brasil está sucateando as Forças Armadas", afirmou.