O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer que o Portal da Transparência divulgue as despesas com cartão corporativo feitas por seguranças que prestam serviços ao Planalto e a sua família. Na reunião da coordenação política do governo, Lula criticou a Controladoria-Geral da União (CGU) por exibir no portal gastos de funcionários destacados para proteger seus filhos. Mais: disse que o governo não ficará acuado pela oposição nem aceitará que o foco da CPI dos Cartões seja familiar.

Sob alegação de que é preciso preservar as instituições, Lula pediu à Controladoria-Geral da União (CGU) para fazer ?varredura? das informações que entram no site. Para ele, não se trata de censura, mas de cautela. ?Não tem sigilo demais. Tem de menos?, afirmou. ?Fizemos o Portal da Transparência e pusemos tudo lá, mas é preciso cuidado.

O governo avalia que há riscos na divulgação desses dados sob o argumento de que tanto o presidente como sua família e funcionários do Planalto podem sofrer ações de sabotagem. Lula chegou a dizer que, se não for tomada nenhuma providência, chefes de Estado poderão evitar vir ao Brasil daqui para a frente. ?A segurança é para o presidente, ex-presidentes e nossos convidados?, insistiu.

Lula voltou ao Planalto ontem, após 11 dias de descanso no Guarujá. Durante as férias, a imprensa noticiou que funcionários da equipe que protege sua família, em São Bernardo do Campo, gastaram R$ 224,3 mil em compras com cartão corporativo, de 2004 a 2007. Além disso, seguranças da Presidência que prestam serviços a Lurian Cordeiro da Silva, filha do presidente, usaram o cartão, em Florianópolis (SC), para pagar despesas em lojas de materiais de construção, autopeças e ferragens.