Foto: Arquivo/O Estado

Lula defende intervenção federal em São Paulo, mas governador Cláudio Lembo rechaça idéia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ontem que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, insista em colocar o aparato de segurança da União – incluindo o Exército, a Força Nacional e a Polícia Federal – à disposição do governador Cláudio Lembo para ajudar São Paulo a debelar a onda de violência desencadeada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A orientação foi dada durante reunião no Palácio do Planalto.

No encontro, o ministro assegurou ao presidente que, apesar das dificuldades políticas, o diálogo com Lembo é bom, a cooperação já existe e é cada vez mais intensa em áreas como a de inteligência. De acordo com Bastos, se um acordo acabar sendo fechado, vai ficar claro que o governo federal atuará em regime de cooperação com o estado, e não de intervenção. Neste momento, segundo um membro do primeiro escalão do governo, já existe possibilidade de envio de uma equipe da Força Nacional. Com mais de 7 mil policiais selecionados entre os quadros de elite dos estados e treinados na Academia Nacional da PF, a força entrou de prontidão para se deslocar a São Paulo.

O governador Cláudio Lembo, no entanto, reafirmou ontem que não aceitará ajuda de tropas federais para controlar a situação nos presídios e combater o crime organizado. ?Sou grato ao presidente Lula e já aceitei ajuda de logística e informações, mas não quero força federal em São Paulo?, declarou Lembo.

O governador ainda não recebeu proposta formal do ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos. ?Não é uma posição de vaidade, mas de realismo administrativo. Se nós preservarmos a nossa Polícia Militar e a Polícia Civil, tudo vai bem. Qualquer interferência externa vai criar entropia?, argumentou.

O governador afirmou que a tropa nacional é absolutamente desnecessária e que o estado tem o controle da situação. ?O que precisamos é de informação, porque, às vezes, o crime organizado é mais informado que a própria autoridade?, disse Lembo. Ele contou que está fazendo reuniões para troca de informações com secretarias de segurança pública do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

PCC executa criminosos que devem para a facção

São Paulo (AE) – A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) está executando os ?associados? que não pagam a contribuição mensal. A pressão para que as dívidas sejam acertadas aumentou com a decisão da cúpula de reiniciar a guerra contra o governo de São Paulo. Isso porque a arrecadação da facção caiu pela metade depois dos ataques de maio. Além disso, seria necessário manter o ?bicho-papão?, como é chamado um dos mais bem guardados segredos do PCC: o dinheiro que abastece seus líderes. ?A cúpula explora a base para ter vida boa?, diz o secretário da Administração Penitenciária (SAP), Antônio Ferreira Pinto. A polícia tem indícios de que pelo menos seis bandidos foram mortos porque não pagaram o pedágio de R$ 1 mil instituído para quem rouba e trafica drogas em São Paulo. Boa parte do dinheiro garante mordomias aos presos e às amantes, como carros blindados importados e roupas de grife.

Escutas feitas por diversas delegacias mostram como ocorrem as cobranças. ?Eles telefonam e dizem que o sujeito vai morrer se não pagar o que deve até o dia seguinte?, afirmou um delegado. As dívidas podem chegar a mais de R$ 100 mil, caso do bandido Rubão, que contraiu um ?empréstimo? de R$ 118 mil com o tesoureiro da organização. A maioria dos débitos, no entanto, é de até R$ 15 mil.

CPI ouve advogados de criminosos

Brasília (AE) – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas ouvirá hoje e amanhã os advogados acusados de ligação com o crime organizado, Nelson Roberto Vinha, Eduardo Diamante, Libânia Catarina Fernandes, Valéria Dammous e Adriana Telini Pedro.

A CPI também ouvirá o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado de Presidente Prudente, Márcio Kuhne Prado Júnior, um dos responsáveis pela denúncia feita pelo Ministério Público contra os advogados.

A advogada Adriana Telini Pedro, que será ouvida hoje, foi flagrada, por meio de escutas telefônicas, orientando um detento da unidade de Valparaíso, interior de São Paulo, a roubar clientes seus que haviam acabado de receber grandes quantias em dinheiro. Ela responde a dois processos e foi indiciada por associação ao tráfico.