Brasília – Em meio às críticas que os projetos sociais do governo vêm recebendo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente ontem um programa que promete erradicar o analfabetismo do país até 2006 e, mais uma vez, escalou a sociedade para participar da ação.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em discurso durante o lançamento do Programa Brasil Alfabetizado, que se tivesse diploma universitário poderia fazer “muito mais”. Lula ressaltou, no entanto, estar convencido de que o mais importante é o político saber o que é importante para seu povo. “Não é mérito, mas pela primeira vez na história da República, a República tem um presidente e um vice-presidente que não têm diploma universitário. Pela primeira vez na história da República”, disse.
“Possivelmente, se nós tivéssemos, poderíamos fazer muito mais, mas eu estou convencido de que, para o político, o mais importante é ele saber o que é importante para o seu povo.” Segundo Lula, “o problema de alfabetizarmos o Brasil é um problema muito menos de dinheiro, muito menos de recursos, de ausência da sala de aula ou de educadores e muito mais da disposição política de alfabetizarmos o nosso país”.
O programa Brasil Alfabetizado foi, na realidade, iniciado há quase nove meses e já alfabetizou, nas contas do governo, mais de um milhão de pessoas em 1.768 municípios. As projeções do governo prevêem que até o fim do ano mais um milhão de pessoas deverão ser alfabetizadas e até o fim do mandato, 20 milhões. De acordo com um estudo do governo divulgado no primeiro semestre deste ano, o Mapa do Analfabetismo, o Brasil tem hoje 16 milhões de pessoas maiores de 15 anos que não sabem ler e escrever um bilhete simples.
“Não prometemos alfabetizar mais (pessoas), nos comprometemos a alfabetizar todos”, disse o ministro da Educação, Cristovam Buarque, em discurso anterior ao do presidente. A idéia do governo é mobilizar a sociedade e promover a educação básica de jovens e adultos por meio de cursos rápidos fornecidos por alfabetizadores, que não precisam ser necessariamente professores.
Pelo programa, que firma convênios com empresas, prefeituras, governos estaduais, ONGs e organizações religiosas, o governo federal repassa 80 reais por alfabetizador capacitado e mais 15 reais por mês por aluno alfabetizado ?um investimento de 74 milhões de reais este ano.
O Brasil Alfabetizado também prevê convênios com universidades públicas e privadas. Segundo o ministro, os alunos das universidades públicas que auxiliarem na alfabetização ganharão créditos em sua carga horária e os das faculdades privadas terão redução da mensalidade durante os meses em que participarem do programa.


