Bombaim – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem na Índia um duro ataque aos países ricos. Segundo ele, no mundo globalizado, está cada vez mais difícil fazer negócios devido à atitude desses países. “As potências econômicas se fecham em torno de seus interesses, em torno de seus empregos, e não vacilam um momento sequer em criar obstáculos para os países emergentes”, disse Lula em Bombaim.

“Muitos países desenvolvidos falam de livre comércio enquanto for livre para eles. Os mesmos países criam obstáculos quando falamos de nossos produtos. O mundo respeita apenas aqueles que se respeitam a si próprios, como Brasil e Índia??, afirmou. Na última parada de sua viagem à Índia, Lula mais uma vez pregou a necessidade de os países em desenvolvimento se unirem para se contrapôr às políticas dos países desenvolvidos.

Como exemplo de algo que está sendo feito neste sentido, ele citou que o acordo de preferências comerciais assinado durante sua estada na Índia entre o Mercosul e a Índia, que qualificou de “feito excepcional”. Segundo ele, com medidas dessa natureza, “o Brasil pode ajudar muito a Índia, e a Índia pode ajudar muito o Brasil”. Lula ainda propôs a assinatura de um acordo comercial entre Brasil, Índia e África do Sul como parte de um novo bloco que unirá as economias em vias de desenvolvimento.

“Um acordo trilateral entre Índia, Brasil e África do Sul nos dará o peso político na Organização Mundial de Comércio (OMC) para conseguir a flexibilidade de que necessitamos para nossos produtos, que, em geral, são submetidos a impostos pelas nações desenvolvidas”, afirmou Lula. Um bloco comercial integrado por Índia, Brasil e África do Sul pode ser apoiado por vôos diretos entre Brasil e Índia via Johannesburgo. Índia e Brasil são líderes dos países emergentes que uniram suas forças nas fracassadas negociações da OMC em Cancún. O presidente brasileiro declarou que Brasil e Índia devem criar uma forte associação comercial com China e Rússia para que sua presença se sinta em um mundo globalizado.

Pela manhã, Lula visitou o Taj Mahal, uma das mais famosas atrações turísticas da Índia, que chamou de “monumento em homenagem à humanidade”. O Taj Mahal é um suntuoso mausoléu construído na cidade de Agra por um rei indiano no século 17 em homenagem à sua falecida mulher. “Um país que consegue preservar um monumento daquela magnitude pode ser um país muito mais desenvolvido do que a Índia é”, disse Lula. De Mumbai, o presidente seguiu para Genebra, na Suíça.