Lula com Bush e Powell: acordo
para resolver problema dos vistos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva arriscou ontem, em Monterrey, no México, um breve improviso ao fim do discurso na reunião da Cúpula Extraordinária das Américas para apresentar uma espécie de explosão de otimismo em relação aos próximos três anos de mandato. Lula listou os feitos do primeiro ano no governo com o objetivo de justificar as perspectivas positivas sobre o País, ressaltou que haverá ?mais dinheiro? para o financiamento de obras de saneamento e de habitação e que, ?se Deus ajudar e não houver uma crise maior?, o Brasil deverá consolidar até 2007 o ponto-chave da política externa – a integração física da América do Sul. 

No improviso, Lula mencionou seis vezes a expressão ?estou otimista?. ?Passado um ano de minha posse, estou mais otimista hoje do que estava em janeiro do ano passado?, iniciou. Conforme ele informou aos 33 outros chefes de Estado das Américas, o otimismo se deve aos fatos de o País ter recuperado a credibilidade, aprovado as reformas da Previdência e tributária, ?o que parecia impossível?, e reduzido as ?taxas de interesses? (sic) – uma pequena confusão com a palavra ?interés? que significa juros em espanhol.

Por fim, o otimismo do presidente voltou-se à política externa, ao destacar que a relação do Brasil com a América do Sul, ?quem sabe, seja a  melhor de toda a nossa história?. ?Nos próximos três anos, não só estaremos consolidando o Mercosul (Mercado Comum do Sul), com a participação de toda a América do Sul e de países da América Latina?, afirmou. ?Se Deus ajudar e não houver uma crise maior, vamos consolidar a tão sonhada integração física de toda a América do Sul?, completou.

No entanto, em seu discurso oficial, Lula atacou o modelo econômico aplicado pelos países em desenvolvimento nas últimas duas décadas, sobretudo pelo Brasil, durante discurso de abertura da segunda sessão de trabalhos da reunião da Cúpula Extraordinária das Américas, dedicada ao tema desenvolvimento social. Qualificando-a como perversa, Lula afirmou que a política econômica que prevaleceu no País nas últimas décadas contrapôs a estabilidade à justiça social.

Numa clara crítica ao Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual o Brasil mantém um acordo, ele ainda insistiu que ?as receitas rígidas? impostas pelos organismos internacionais aos países reproduzem e ampliam a crise macroeconômica que, supostamente, deveriam corrigir.

Visto: Brasil pede acordo a Bush

O governo brasileiro propôs ao governo americano que se inicie imediatamente um acordo recíproco de dispensa de vistos entre os dois países. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula teve anteontem, em Monterrey, um encontro de trinta minutos com o presidente George W. Bush para tratar da questão.

De imediato, o Brasil pediu a suspensão do procedimento de impressões digitais e fotografias, simultaneamente nos Estados Unidos e no Brasil, enquanto se negocia o texto do acordo para ser assinado ainda este ano. O novo sistema
de identificação de viajantes tem criado um clima negativo que se reflete nas relações diplomáticas entre os dois países.

A reunião entre os presidentes aconteceu na Pinacoteca do Centro de Artes do Parque Fundidora, sede da Cúpula Extraordinária das Américas, que foi aberta anteontem. Lula entregou a proposta ao presidente Bush e fez uma brincadeira dizendo que hoje existem 27 países considerados exceções por não precisarem de visto para ingressar nos Estados Unidos, em especial os países da Europa. O presidente brasileiro teria questionado: ?por que não 28 países??, referindo-se à possibilidade de o acordo de dispensa de vistos incluir também o Brasil. George Bush considerou um bom argumento e disse que irá analisar a proposta.

Enquanto isso, em São Paulo o presidente interino da República, José Alencar, defendeu ontem a identificação de cidadãos dos EUA que chegam ao País nos aeroportos e portos.