O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lançou hoje seu programa de combate ao racismo, em Salvador, exatamente um mês depois do primeiro protesto do movimento negro baiano contra o candidato do PPS, Ciro Gomes. Intitulado ?Brasil sem Racismo?, o documento petista – que será incorporado ao plano de governo do presidenciável – prevê cotas para negros nas universidades públicas. Foi justamente este o tema que provocou o bate-boca entre Ciro e o estudante Rafael dos Santos, durante debate na Universidade de Brasília (UnB), no dia 7 de agosto. ?Ciro agiu de forma antidemocrática?, afirmou, numa referência à atitude do candidato da Frente Trabalhista que cassou a palavra do aluno sob o argumento de que a palestra não previa apartes.
O fato foi lembrado ontem (9), durante a apresentação do caderno temático de combate ao racismo, uma espécie de carta-compromisso assinada por Lula, na Casa do Comércio de Salvador. Com 20 folhas, o documento aborda algumas ações para o enfrentamento da exclusão social, em caso de vitória do petista. Além de garantir a inserção de jovens e adultos negros nas universidades, por meio de cotas, a cartilha defende a concessão de incentivos às empresas privadas que desenvolverem programas de igualdade racial e diversidade étnica.
Sugestões como a criação de um Centro de Referência contra o Racismo e de um Disque Racismo, para denunciar a violência praticada por ?policiais mal preparados?, também fazem parte do texto. Mas as propostas são genéricas e, embora contemplem várias áreas – como geração de emprego, saúde, educação, cultura segurança e até relações internacionais –, ainda não há o detalhamento de como executá-las.
O documento destaca que as políticas públicas voltadas para a população negra terão destaque na agenda programática dos ministérios em um possível governo Lula. Para dar visibilidade a essas ações, o PT promete garantir assento aos diferentes grupos raciais nas campanhas e atividades de comunicação do governo. No capítulo Retrato da Realidade, a cartilha cita pesquisa do Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas (Ipea), publicada em 2001, para lembrar que, entre os 53 milhões de pobres, os negros correspondem a 64% e, pior, a 69% da população de indigentes.


