Brasília – O líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará novas mudanças em seu ministério e anunciou que o governo está trabalhando na perspectiva de um governo de coalizão com os partidos da base.

"O presidente fez algumas mudanças na equipe e provavelmente fará novas mudanças. Cabe a ele anunciar quais e em que momento. Tenho certeza que está escalando a melhor seleção do País para poder fazer frente aos desafios e oportunidades que temos pela frente. Ele está amadurecendo as consultas e trabalhando na perspectiva de um governo de coalizão dos vários partidos que sustentam esse projeto", afirmou.

Mercadante admitiu que haverá mais espaço nos ministérios para os partidos da base aliada. "Seguramente, qualquer mudança vai nessa perspectiva, de nós buscarmos consolidar as alianças estratégicas. Quanto ao perfil no lugar de cada partido, de cada técnico, na montagem do governo, é uma construção cujo maestro é só o presidente Lula", disse. Em relação à interinidade no comando do Ministério do Planejamento, Mercadante disse que ela, se houver, será muito breve. "Se houver alguma interinidade, avalio que será muito breve. O presidente vai montar a equipe para continuar trabalhando desde agora", afirmou.

Em reunião na manhã de ontem com o presidente, ficou decidido que o presidente do BNDES, Carlos Lessa, deixará o cargo. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, assumirá o cargo, quando deixar o cargo de ministro. Na quarta-feira, o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), já havia conversado sobre o assunto com Lessa. Também na quarta-feira, integrantes do governo próximos a Lula procuraram Lessa para uma conversa e deixaram claro que sua situação no cargo era insustentável. Apesar de o presidente Lula ter grande consideração por Lessa, o atual presidente do BNDES estaria sendo visto como um problema até mesmo por aqueles que sempre o defenderam dentro do governo.

Lessa ganhou o rótulo de polemista e, segundo assessores ligados ao Palácio, cometeu o pecado de insistir em tornar públicas suas divergências. A isso somou-se o desempenho considerado fraco para o BNDES neste segundo ano de governo, período em que a macroeconomia dava sinais positivos e esperava-se uma arrancada em investimentos por parte do setor produtivo.