O convite às centrais começou a ser feito na última sexta-feira pelo secretário sindical do PT, Heiguiberto Navarro, o Guiba. “É uma primeira conversa sobre o que precisa ser modificado na área sindical, na trabalhista e discutir a reforma na Previdência”, diz o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT.
Entre as propostas que o presidente eleito parece decidido a levar aos sindicalistas figura o fim da unicidade sindical, com o acatamento das normas da Convenção 87 da OIT, permitindo a criação de várias entidades em uma mesma categoria e base territorial. Outros pontos são: o fim da contribuição ou imposto sindical; a redução ou fim dos repasses às centrais de verbas do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador); e uma proposta de negociações tripartite ? sindicatos/empresários/governo ? que busquem acordos setoriais, a exemplo do concluído em 1992, sob o governo Collor, na indústria automobilística.
Para Luiz Inácio Barbosa Carvalho, sócio-diretor da consultoria Sussekind, especializada na área trabalhista, o fim da unicidade e da contribuição trará mudanças de vulto ao mundo sindical. “Vão sobrar apenas 10% dos sindicatos do país. Isso porque a maioria deles só existe para arrecadar dinheiro”, afirmou ele na edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo.


