Lula: rumo será mantido.

Brasília ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem uma defesa enfática da política econômica seguida pelo seu governo. De acordo com Lula, o governo não quer uma economia “para apenas um mandato”. Mas pretende inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento em que a inclusão social seja ao mesmo tempo o motor e o resultado.

Em resposta aos temores de mudança no rumo da economia por causa da instabilidade internacional, Lula afirmou a disposição do governo de manter, sem nenhuma mudança, a atual política econômica. Diante de uma platéia de políticos, empresários e economistas na abertura do 16.º Fórum Nacional, Lula descartou a possibilidade de novos planos econômicos, afirmou que sua administração honrará o pagamento da dívida pública e declarou que continuará com as reformas, com possíveis novas mudanças na Previdência Social.

“Trata-se de um caminho que deve ser construído dia a dia, pelo esforço consciente de cada um e de todos nós”, discursou, ao abordar a política econômica do governo. “Caminho que é incompatível com planos supostamente milagrosos, com pacotes aparentemente mágicos. Em uma palavra: com atalhos inexistentes para o progresso e a justiça.”

Em referência ao debate que, assim como ocorreu na administração Fernando Henrique Cardoso, divide atualmente o governo – entre os adeptos da estabilidade e os defensores do crescimento econômico -, o presidente pregou a necessidade de “superar, na teoria e na prática, dicotomias artificiais do passado”. Reconheceu também que “tropeços circunstanciais existem, como em qualquer governo”, e, “se a experiência recomenda”, são feitos aperfeiçoamentos. “Mas prosseguiremos na rota traçada porque acreditamos nela e acreditamos no Brasil”, destacou.

O presidente afirmou que, com as mudanças na Previdência e nos impostos, cumpriu duas das cinco reformas que anunciara no início da administração – as demais são a trabalhista, a agrária e a política. “Vamos cumprir, nos próximos dois anos e meio, as etapas seguintes”, prometeu. Ele elogiou a reforma previdenciária, votada no ano passado pelo Congresso, mas afirmou que “novos passos devem ser dados” nesse campo. “O Regime Geral de Previdência ainda tem déficits importantes, sobretudo pelo elevado grau de informalidade na economia”, lembrou.

Lula disse que uma redução imediata dos impostos, reclamada pelos críticos da reforma tributária, seria “uma grave irresponsabilidade”, por causa dos desequilíbrios nas contas públicas.