Atos e decisões do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, estão sempre presentes nas conversas, formais e informais, da comitiva do presidente Fernando Henrique Cardoso na viagem a Portugal.
Mas o que mais repercute a respeito de Lula em Lisboa é seu desabafo sobre a pressão que vem sofrendo para compor sua equipe de governo. E o que parecia restrito a interlocutores brasileiros foi revelado hoje também pelo primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, durante entrevista coletiva.
Ao contar que já havia conversado com o presidente eleito do Brasil, por telefone, o premier português falou da preocupação manifestada por Lula com tanta demanda por cargos na formação de seu governo. “Ele disse que há mais pedidos que cargos no governo.” O mesmo desabafo Lula fizera no jantar de sexta-feira passada com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio da Alvorada, com poucos auxiliares de um lado e de um outro.
É este tipo de preocupação que ajuda alimentar entre os tucanos a idéia de que Lula poderá ter problemas com o seu próprio partido, o PT.
Integrante da comitiva oficial de Fernando Henrique a Portugal, o ex-governador do Ceará e senador eleito Tasso Jereissati, comentava hoje, entre uma reunião e outra, que seu partido, o PSDB, fará uma oposição responsável a Lula. O problema, disse, pode estar mais próximo do novo presidente.
“Se concordarmos com uma proposta ou um projeto de Lula, não teremos nenhum problema em ajudar, em apoiar na aprovação. O PSDB não deve ficar defendendo essas ‘armadilhas’, como a do salário mínimo, só para prejudicar o novo presidente”, afirmou Tasso. “Mas a turma radical do PT vai lhe dar trabalho. E posso falar isso pela experiência que vivi com esse pessoal do PT no Ceará. Eles são duros”, completou.
Como Tasso, o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que também está na comitiva presidencial, defende uma postura responsável e madura do PSDB no Congresso. E esta não é exatamente a linha partidária que vem sendo pregada pelo comando atual do partido, com o deputado José Aníbal (PSDB-SP) à frente.
O discurso dos tucanos que estão em Lisboa reflete o que vem defendendo Fernando Henrique nas conversas com seus colegas de partido.
A disposição demonstrada por Tasso Jereissatti em ir para a linha de frente do partido já leva à especulação de que ele é um forte candidato a presidir o PSDB a partir de maio do ano que vem. Com total apoio de Fernando Henrique.


