O tucano José Serra e o petista Luiz Inácio Lula da Silva terão quase o mesmo número de palanques nos estados. Candidato da coligação PSDB-PMDB à Presidência, José Serra terá o apoio exclusivo de 27 candidatos aos governos estaduais e compartilhará outros oito palanques com adversários na disputa presidencial.

Brasília (AG) – Lula, líder nas pesquisas, conseguiu 26 palanques exclusivos de candidatos a governador e outros quatro que serão divididos com seus adversários na corrida sucessória.

O candidato da Frente Trabalhista (PPS, PTB, PDT), Ciro Gomes, terá 21 palanques exclusivos e mais cinco compartilhados.

Já o ex-governador do Rio Anthony Garotinho, candidato do PSB, terá 13 palanques de candidatos ao governo e vai dividir com os concorrentes apenas dois palanques.

A maior dificuldade de Garotinho até as eleições, porém, é que sua campanha está estruturada em apenas 11 estados. Esse problema é menor no caso de Ciro Gomes, que só não tem palanque em cinco estados, e para Lula, que padece de apoio consistente em dois estados.

O mapa eleitoral nos estados, além de mostrar a distribuição das forças de cada candidato na largada da campanha, também prova que os políticos encontraram uma forma para driblar a verticalização das coligações. Em todo o País, seguindo a lógica da política regional, os partidos organizaram coligações brancas. Há casos como o do Ceará, onde o PSDB de Serra e o PPS de Ciro apóiam o senador tucano Lúcio Alcântara para o governo. Para o Senado, disputam com uma chapa informal com o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB) e Patrícia Gomes (PPS).

Não menos emblemático é o que ocorre no Espírito Santo. O candidato do PSB de Garotinho ao governo, o senador Paulo Hartung, apóia uma chapa ao Senado integrada pelo senador Gerson Camata, do PMDB, e pelo deputado Ricardo Ferraço, do PPS.

“Já sabemos como fazer campanha conjunta sem infringir a lei. Os nossos comícios serão convocados por pessoas físicas. Nós, os candidatos, aparecemos para dar nosso recado como convidados “, diz Camata.

Para enfrentar o ex-presidente Fernando Collor, que concorre ao Senado pelo minúsculo PTN em Alagoas, Renan Calheiros (PMDB) formou uma chapa para disputar a reeleição com o senador tucano Teotônio Vilela. E ambos são aliados informais do governador Ronaldo Lessa, do PSB.

“A verticalização engessou o quadro partidário. Só ganharam os pequenos partidos, que ficaram livres para se coligar nos estados”, diz Renan.

Na Bahia, a coligação PSDB-PMDB lançou o ex-deputado Prisco Viana para o governo, mas fez uma coligação branca para o Senado, onde concorrem os ex-governadores João Durval (PDT) e Waldyr Pires (PT). No Pará, a coligação branca será entre o PSB e o PMDB, com o lançamento do senador socialista Ademir Andrade para o governo e do ex-governador Jader Barbalho para o Senado.

Os candidatos do PT aos governos também aderiram às coligações brancas para fortalecer suas chapas. O senador José Eduardo Dutra, candidato ao governo em Sergipe, fará campanha pela reeleição do senador Antônio Carlos Valadares (PSB). O PT paulista também está articulando uma coligação branca com o PMDB. Os candidatos ao governo, José Genoíno, e ao Senado, Aloízio Mercadante, se aliaram ao ex-governador Orestes Quércia (PMDB).

“Quércia terá uma estrutura própria de campanha e pedirá votos para Lula e para mim. Nos meus comícios vou recomendar aos eleitores que dêem o segundo voto ao Quércia”, diz Genoíno.

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