Brasília – Embora os líderes aliados trabalhem para evitar a abertura de uma CPI para investigar as denúncias de corrupção nos Correios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem não estar preocupado com o assunto. Indagado por jornalistas se a CPI preocupava o governo, Lula ironizou: "Olhem para minha cara e vejam se estou preocupado", disse o presidente, abrindo um sorriso.

No esforço do governo para evitar a CPI, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, reuniu-se na noite de quinta-feira com os ministros Walfrido Mares Guia (PTB), do Turismo; Alfredo Nascimento (PL), dos Transportes; Eunício Oliveira (PMDB), das Comunicações; e Eduardo Campos (PSB), da Ciência e Tecnologia, para pedir que eles intensifiquem as conversas com os parlamentares de suas bancadas que assinaram o requerimento de criação da CPI dos Correios. Apesar das dificuldades que está encontrando, o governo vai insistir até a próxima quarta-feira na tática de tentar inviabilizar a comissão, com a retirada de apoios entre os deputados.

Estes ministros foram chamados porque são considerados representantes políticos de seus partidos no governo e Aldo lhes disse que os aliados deveriam fazer uma mobilização para não dar um palco para a oposição atacar o governo Lula. O ministro argumentou que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Controladoria Geral da União já estariam trabalhando para investigar as denúncias de corrupção e as irregularidades nos Correios a partir da gravação do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Materiais dos Correios, Maurício Marinho, e dois empresários da Alfa 1.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), também esteve com Aldo para fazer uma avaliação do resultado dos esforços dos líderes aliados para a retirada de assinaturas e as providências que precisam ser adotadas para que esta tática dê resultados.