Brasília – Preocupado em reverter, ou pelo menos amenizar, os efeitos de medidas impopulares, o governo resolveu adotar uma estratégia ousada: vai defender as ações ao lançá-las e tentar justificá-las.

A nova tática começou a ser usada na última quinta-feira, no programa do PT em cadeia nacional de rádio e TV. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi escalado para defender a ortodoxia da política econômica. Palocci também expôs um argumento que o governo e o PT pretendem explorar nos próximos meses: diferentemente dos governos anteriores, que cederam em período eleitoral, a atitude do PT é de responsabilidade.

“As pessoas vão começar a registrar que Lula teve coragem e ousadia. Fez o que tinha de ser feito, mesmo em véspera de eleição. Diferentemente de outros governos, que fraquejaram e cederam no meio do caminho. Lula tem de estar bem e com popularidade alta apenas em 2006”, afirma o publicitário Duda Mendonça, que tem a conta do PT e do governo federal.

Na quinta-feira, na reunião do Conselho Político, Lula antecipou o tom do governo, daqui para frente, ao falar com os presidentes de partidos aliados: “O Plano Real foi bem sucedido, mas a manutenção da política cambial em 1998, por causa da reeleição, causou grande prejuízo ao país. Isso provocou uma dívida monstruosa”, disse Lula, segundo relato de participantes da reunião.

Será esse tipo de abordagem, ressaltando sempre a responsabilidade, que o governo vai adotar de agora em diante. “A orientação é mostrar que, mesmo diante das dificuldades, o governo está atuando e não vai ceder às pressões conjunturais e eleitorais para abandonar a responsabilidade na política econômica”, explica o secretário-executivo da Secretaria de Comunicação, Marcus Flora.

Campanhas

Ao mesmo tempo, o governo trabalha com três campanhas para apresentar suas ações. A primeira foi feita por Duda e teve como tema “O trabalho sério já começa a dar resultados”. Agora, está entrando no ar a campanha “Mudando o Brasil”, elaborada pelo publicitário Paulo de Tarso, que irá mostrar ações positivas do Executivo como o Bolsa Família e o crescimento nas exportações.

Para os próximos meses, a agência Lew Lara está desenvolvendo uma campanha que irá trabalhar a auto-estima do brasileiro. Com isso, o governo também aposta na recuperação de sua popularidade. “O declínio de confiança não atingiu o ponto de irreversibilidade. Mas à medida que a confiança vai se deteriorando, é mais difícil reverter o processo. A expectativa está sendo substituída pela decepção”, alerta Antônio Lavareda.