Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem em Cuzco, no Peru, que a obra da rodovia Interoceânica, que Brasil e Peru lançaram, na abertura da 3.ª reunião de presidentes da América do Sul, é muito mais do que um projeto bilateral, pois sintetiza a vontade do continente de fazer da geografia a maior aliada para enfrentar uma economia globalizada.

"A integração da infra-estrutura cívica da América do Sul, significa não apenas novas oportunidades de comércio e de acercamento entre os nossos países. É também requisito para que o continente possa inserir-se de forma competitiva numa economia globolizada", afirmou o presidente Lula.

Segundo o presidente Lula, a rodovia que ligará Inapari, na fronteira com o Estado do Acre, aos portos peruanos Ilo e Matarani, no Pacífico, mostra que a comunidade sul-americana de nações, que está sendo criada, não é um mero exercício de retórica: "É a expressão do empenho de nossos países em superar as distâncias que ainda nos separam". Para ele, o continente, ao se integrar para dentro, também está se integrando com o mundo.

O projeto da Rodovia Interoceância, que será construída em dois anos e está orçada em US$ 700 milhões, para o presidente brasileiro é um projeto ambicioso, que exigiu mobilização de fontes inovadoras. Lula lembrou que o Brasil, de Norte a Sul, vem participando de projetos prioritários para a região, nos campos dos transportes, das comunicações e da energia.

"A ponte sobre o rio Orinoco, na fronteira com a Venezuela, a Hidrelétrica San Francisco, no Equador, a ponte Assis Brasil-Iñapari, na fronteira com o Peru, as importações de energia do Paraguai, da Venezuela e da Bolívia, o desenvolvimento da região do Rio Madeira, a segunda ponte sobre o rio Paraná, na fronteira com o Paraguai, o corredor Bioceânico entre Santos e Antofagasta, no Chile, a segunda ponte do rio Jaguarão, na fronteira com o Uruguai e a duplicação da Auto-Estrada do Mercosul. Todos esses projetos objetivam a aproximação entre nossos países e o bem-estar de nossos povos", disse Lula.

O atendimento às populações marginalizadas e muitas vezes esquecidas, segundo o presidente brasileiro, é o objetivo de todos esses projetos. " Essa é a integração que buscamos. Um processo que nos una e nos aproxime, mas também distribua, de forma mais equilibrada, seus benefícios", acrescentou Lula.

O presidente Lula terminou o seu discurso na abertura da 3.ª Reunião de Presidentes da América do Sul, afirmando que o Brasil não é um país rico e tem problemas como qualquer outro país do continente.