Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará nesta semana, durante visita à França, a aquisição de 12 caças usados Mirage para serem usados pela Força Aérea Brasileira (FAB), em acordo de 80 milhões de euros.

O Brasil pagará cerca de 60 milhões de euros pelos 12 caças, além de outros 20 milhões de euros para suprimentos e outros itens (um total de cerca de R$ 240 milhões). O programa original da FAB previa desembolso de US$ 700 milhões (R$ 1,68 bilhão). A economia, a grosso modo, é de cerca de R$ 1,44 bilhão.

Neste ano foi encerrada, sem vencedor, a licitação para escolha de um fornecedor de 12 caças supersônicos à FAB, depois de sucessivos atrasos no programa FX.

?Essa decisão do governo é temporária, é uma saída transitória para dar um salto de qualidade nos caças da FAB?, disse a fonte, lembrando que o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, chegou a afirmar que os caças usados franceses são uma solução para os próximos seis a dez anos.

Ainda de acordo com a fonte, que não soube informar o cronograma de entregas do aviões, os caças que virão da França têm experiência em combate e atualmente estão em operação.

As aeronaves Mirage 2000-C passarão por revisão antes de serem entregues à FAB e deverão ser usadas em Anápolis, base aérea no Planalto Central.

?Gradualmente os atuais caças em uso por nós serão desativados?, explicou a fonte, lembrando que alguns jatos da FAB, como o Mirage 3, são usados há 33 anos no Brasil.

A compra dos caças usados pelo governo brasileiro representa um revés para a Embraer, que formou parceria com a francesa Dassault para disputar o contrato do programa FX, fornecendo uma versão especial do Mirage. A Embraer argumentava que sua escolha garantiria transferência de tecnologia ao Brasil.

Também participaram da licitação do programa FX a russa Sukhoi e a norte-americana Lockheed Martin, entre outras.

Esquadrilha na França

Após cinco dias de viagem e mais de 9 mil quilômetros percorridos, a Esquadrilha da Fumaça da Força Aérea Brasileira chegou a Paris para integrar a equipe de desfile aéreo na parada militar comemorativa ao aniversário da Queda da Bastilha.

Cada aeronave voou cerca de 30 horas, passando por Recife, Fernando de Noronha, Ilha do Sal (no arquipélago de Cabo Verde), Las Palmas (no arquipélago das Ilhas Canárias), Sintra (ao sul de Portugal), Bordeaux (no sul da França), até o pouso final na Base Aérea de Villacoublay, próximo a Paris.

O trecho mais desafiador da travessia teve 2.500 quilômetros e ligava a ilha de Fernando de Noronha à Ilha do Sal, tendo sido necessárias sete horas e 40 minutos de vôo ininterrupto para que ele fosse percorrido.

Durante todo o deslocamento, as oito aeronaves T-27 Tucano brasileiras contaram com o apoio imprescindível de um Hércules C-130 da Base Aérea dos Afonsos.