Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso politicamente incorreto ontem, durante cerimônia de lançamento da nova política de saúde mental do governo, ao chamar de loucos os portadores de transtornos mentais. “Todos nós temos um pouco de louco dentro de nós”, afirmou em trecho improvisado de seu discurso.

“Quem não acreditar é só fazer uma retrospectiva do comportamento pessoal nos últimos dez anos que vai ver que já teve esse momento.” Apesar de não se referir diretamente aos beneficiados pelo programa, Lula não usou a denominação correta – portadores de transtornos mentais – usada inclusive no material distribuído pelo Ministério da Saúde.

Sem privilégios

Além de derrapagem no discurso, a organização da Presidência reservou as últimas cadeiras disponíveis no Salão Nobre do Palácio do Planalto para os principais beneficiados do programa do governo: os portadores de transtornos mentais. Acompanhados de enfermeiros, os “pacientes”, como classificou o deputado federal Paulo Delgado (PT-MG), autor do projeto de saúde mental, ficaram distantes dos ministros, parlamentares e atores presentes – Rodrigo Santoro e Maria Fernanda Cândido.

A atriz ainda ouviu uma brincadeira de Lula sobre seu trabalho no Centro de Atenção Psicossocial (Caps): “Eu, se soubesse que a Maria Fernanda Cândido tinha trabalhado no Caps, teria me internado. E se o Rodrigo Santoro fosse o ajudante, a Marisa teria se internado também”.

Projeto de lei

Afora os problemas de organização e de discurso, o governo federal enviou projeto de lei ao Congresso Nacional que institui o auxílio reabilitação psicossocial, uma ajuda de R$ 240 para estimular a volta para casa dos pacientes. Isso custará R$ 2 milhões, já previstos no PPA (Plano Plurianual) do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O benefício será pago ao paciente ou ao representante legal. O paciente terá direito ainda a um programa assistido e reintegração, trabalho protegido e lazer assistido.