Em Campina Grande, Lula foi
duro em suas críticas.

Campina Grande – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dia inspirado para o discurso, soltou a língua ontem em Campina Grande, uma das cidades nordestinas que está visitando. Sem citar nomes, ele chamou ex-presidentes brasileiros de covardes, disse que não tem medo de cara feia e disse que fará todas as reformas que se fizerem necessárias para o País recuperar a auto-estima.

Ao contrário de outros presidentes, que a seu ver não tiveram coragem para mudar o País, Lula disse que vai fazer a grande e profunda reforma que o País precisa, a começar pela reforma agrária. Assegurou que também fará as reformas administrativa, trabalhista e da estrutura sindical brasileira. “Os ex-presidentes foram covardes e não tiveram coragem de fazer o que precisava ser feito”, enfatizou.

Lula disse ter chegado à Presidência da 8.ª economia do mundo para fazer o que “muitos presidentes covardes” não tiveram coragem de fazer. Alegou não ter medo de cara feia dos partidos da direita ou da esquerda. “Aprovamos a reforma da Previdência Social, porque previdência é direito e não privilegio”, afirmou.

Da mesma forma, garantiu que será aprovada a reforma tributaria no Senado. “Vai ter gente que não vai gostar, mas eu deito todos os dias com a cabeça tranqüila, sabendo que a reforma tribuntária é para desonerar a produção e as exportações e fazer com que quem ganhar mais, pague mais e quem ganha menos, pague menos”, destacou o presidente. O discurso de Lula foi feito após a inauguração do novo terminal de passageiros do aeroporto João Suassuna em Campina Grande.

“Eu queria lembrar aos deputados e ao governador, que conviveu comigo esse período e sabe perfeitamente bem qual era a desesperança deste País há apenas dez meses. Muita gente torcia para que as coisas não dessem certo. E nós assumimos o governo dizendo: nós vamos fazer primeiro o que é possível, depois vamos fazer o que é necessário e depois vamos fazer o impossível.”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se encontra em Washington, respondeu com bom humor ao comentário feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chamou de covardes os seus antecessores, sem citar nomes, em discurso em Campina Grande. O presidente participou de um seminário na Universidade George Washington e recebe um prêmio da Fundação Fullbright.

“Eu espero que quando chegar o final do governo Lula, possamos ver que as políticas sociais avançaram mais ainda”, afirmou FHC. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também ex-presidente da República evitou polêmica ao ser consultado sobre as declarações de Lula. “Não ponho a carapuça, mas tenho absoluta certeza de que não era eu”, disse.

Simon: Lula ainda não fez nada

Brasília

– O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse ontem que, antes de falar de seus antecessores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa fazer alguma coisa, o que, segundo Simon, Lula ainda não fez. Segundo Pedro Simon, para fazer alguma coisa Lula precisa da ajuda de muita gente do governo de Fernando Henrique. Sobre o ex-presidente Itamar Franco, que também pode ser incluído nas declarações de Lula, Simon disse que duvida que Lula tenha falado dele, que teve atos de coragem que o atual presidente ainda não teve.

“O Itamar, por exemplo, não nomeou um banqueiro para presidir o Banco Central e o Banco do Brasil. E Lula nomeou um banqueiro internacional. Talvez aí seja um ato de coragem que nem FH teve”, disse, com ironia. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), classificou de grosseria a afirmação de Lula, de que os presidentes que o antecederam foram covardes e não fizeram o que era preciso para o País. “A gente procura idéias do governo e só acha grosseria. E justo nessa hora em que ele precisa de uma união para aprovar tantas matérias de interesse do País. Covardia é ele não governar”, disse Virgílio. Segundo o tucano, o governo Lula “faz água e está preso à inação administrativa e à falta de juízo”. “Este governo é recordista na falta de juízo”, afirmou Virgílio.

Já o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que o governo precisa aproveitar esses dois meses que faltam para terminar o ano para criticar os antecessores, porque a partir de janeiro, terá que mostrar serviço.