Brasília – O equilíbrio ecológico está ligado ao desenvolvimento social, afirmou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Num discurso feito na cerimônia de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula também confirmou que será realizada em novembro deste ano a primeira Conferência Nacional do Meio Ambiente.
Durante o pronunciamento, Lula lembrou a luta de Chico Mendes. “Depois do assassinato de Chico Mendes, ficou claro que não há separação entre o equilíbrio ecológico e o social. Repito o que disse no enterro de Mendes, ele conseguiu unir sobre a mesma bandeira a luta ecológica, sindical e a política porque sabia que são indissociáveis, num ciclo semelhante à vida na floresta. A verdade mostra que os destinos da natureza e da sociedade, em especial para os países mais pobres, estão ligados. Equilíbrio ambiental e miséria são incompatíveis”, defendeu Lula.
O presidente também ressaltou que a política ambiental “deve se tornar inseparável de uma economia mais solidária e política mais justa”. Por isso, segundo Lula, autorizou a ampliação do patrimônio público ambiental. Ele contou que destinou R$ 7 milhões para o programa Amazônia Sustentável, de apoio às comunidades extrativistas. Lula também afirmou que o mogno extraído ilegalmente será destinado a obras sociais.
Água
A organização não-governamental WWF lançou ontem, com um ato na frente do Congresso Nacional, a campanha “Água para a Vida, Água para Todos”, marcando o Dia Mundial do Meio Ambiente. Um grupo de 24 ginastas fez uma coreografia no gramado em frente ao Congresso com faixas brancas e azuis, lembrando a água, e pretas, lembrando a poluição. Um balão da WWF foi solto para sobrevoar a cidade. No início da manhã, uma faixa de 30 metros foi colocada por atletas de rappel na torre de TV, ponto central de Brasília. Ao mesmo tempo, o coordenador do programa Água para a Vida no WWF, Samuel Barreto, entregou aos presidentes da Câmara, João Paulo Cunha, e do Senado, José Sarney, propostas para conservação da água no País. Entre elas, implementar os compromissos assumidos pelo Brasil na Cúpula Mundial do Meio Ambiente, no ano passado, e ampliar o acesso à água tratada no País. Em uma tentativa de combater a crise no suprimento de água que ameaça um terço da humanidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) fez vários apelos para que os governos dos países desenvolvidos dupliquem sua ajuda aos países pobres e para as pessoas no mundo inteiro tomem uma medida simples: consertem torneiras que vazam. Com o slogan “Água: 2 bilhões de pessoas morrem por ela”, a data está sendo lembrada com projetos que vão da drenagem de poças infestadas por mosquitos no Quênia à degustação de água de toda a Europa, em Bruxelas. “Doenças relacionadas à água matam uma criança a cada oito segundos”, disse o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. “Uma pessoa em cada seis vive sem acesso regular a água segura para consumo. O dobro disso – 2,4 bilhões de pessoas – não tem acesso a saneamento básico.”, lamentou. As Nações Unidas dizem que o mundo está longe de atingir a meta de diminuir à metade a percentagem de pessoas que não tem acesso a água potável e saneamento até 2015, parte de um esforço mais amplo de combate à pobreza.