Lula e Alencar durante anúncio de
investimentos em saneamento e rodovias.

Brasília – Até o fim deste ano, o Ministério dos Transportes espera recuperar sete mil quilômetros de rodovias federais que hoje estão intrafegáveis. No próximo ano, a intenção é restaurar 11 mil quilômetros. Esses são os planos de Alfredo Nascimento, ministro dos Transportes, que anunciou, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um plano de recuperação do setor.

Dos 72 mil quilômetros de rodovias federais brasileiras, 55% estão intrafegáveis. “Uma ação imediata precisava ser tomada”, afirmou o ministro ao destacar que o Ministério da Fazenda liberou R$ 700 milhões para pagamento de dívidas e início das obras. Segundo Nascimento, o plano vai gerar 50 mil empregos diretos e 200 mil indiretos.

Conforme disse, a expectativa é de que, nos próximos dois meses, as obras de responsabilidade do Transportes sejam retomadas. Ele assegurou que, no prazo de um ano, o governo terá restaurado “25% das rodovias em estado de intrafegabilidade”. A projeção do ministro é de recuperar a malha rodoviária federal em um intervalo de quatro anos.

As rodovias estão intrafegáveis mesmo recebendo 80% de todo o orçamento do Ministério dos Transportes. Tais condições são, para Nascimento, resultado de “descaso e falta de compromisso com patrimônio do País”. Ele disse que o último programa do gênero, em que cinco mil quilômetros de rodovias foram recuperados, ocorreu no governo de José Sarney. Para a recuperação total das rodovias brasileiras, Nascimento afirmou, ontem, na Câmara dos Deputados, serem necessários investimentos da ordem de R$ 6,5 bilhões em quatro anos, alegando o estado precário de conservação das estradas.

Lula também anunciou que vai investir neste ano R$ 2,9 bilhões em saneamento básico no País. Segundo o presidente, isso resultará em um total de R$ 4,6 bilhões de recursos para saneamento nestes 15 meses de governo contra os R$ 262 milhões investidos em 2002. “Posso garantir que vamos investir em saneamento básico, no meu governo, o que não foi investido em algumas décadas neste Brasil. E não faço isso por mim, faço isso porque acho que as crianças brasileiras têm o direito, já que são pobres, de brincar pelo menos em um local em que não disputem com dejetos o lugar de brincar”, afirmou.

Lula ressaltou a importância das obras de saneamento básico para garantir qualidade de vida à população de baixa renda. “Eu já morei em uma rua que não tinha guia, que não tinha sarjeta, de barro vermelho. Eu tinha que andar quase um quilômetro para ir trabalhar e, no dia em que colocaram uma sarjeta naquela rua, tive a impressão que tinha ido para o céu”, contou.