Apontado nos últimos anos como a solução das obras públicas, que via de regra, atrasam e encarecem, o modelo de Parceria Público-Privada “subiu no telhado” em São Paulo com anúncio da suspensão da construção da Linha 6-Laranja do metrô, “a maior PPP do setor”, pelo único consórcio que decidiu encarar a empreitada em 2013.

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A principal vantagem de uma PPP é que o aporte de recurso privado reduz o gasto público em uma obra ou manutenção de um sistema, como o metroviário. No caso da Linha 6, porém, o conceito apresentou problema logo na largada. Após uma licitação deserta (sem interessados), o governo Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu bancar metade dos R$ 9,6 bilhões previstos nos 15,3 km e 15 estações da linha para atrair parceiros. Apareceu um grupo.

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Menos de 1 ano e meio após o início da obra, porém, o consórcio formado pela Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC Participações e Fundo Eco Realty paralisou a construção porque não consegue obter financiamento de longo prazo do BNDES, ou seja, não tem dinheiro para bancar sua parte no negócio. E coube ao Estado, que já custeou R$ 1,6 bilhão da linha (mais da metade dos R$ 2,7 bilhões gastos até aqui), entrar no jogo para negociar uma saída junto ao banco para não ficar com mais um mico na mão.

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Diante das informações limitadas divulgadas por todos os lados envolvidos, não é possível saber se a paralisação de uma obra de extrema importância para a cidade – a Linha 6 deve atender 600 mil passageiros por dia e atender grandes universidades, como Faap, PUC e Mackenzie – está relacionada apenas à crise econômica, ao ajuste fiscal ou à Lava Jato (as três empreiteiras estão implicadas no maior escândalo de corrupção do País).

O fato é que a obra da Linha 6 está suspensa e deve sofrer novo atraso – a promessa de conclusão em 2018 já havia sido adiada para 2021. E não será a primeira PPP a passar por isso. Ainda no metrô, a parceria com o setor privado para a construção do monotrilho da Linha 18-Bronze, que vai ligar a capital ao ABC paulista (São Bernardo), nem sequer foi iniciada mesmo mais de um ano após a assinatura do contrato com o governo Alckmin. Novamente, o problema é falta de recurso.

Na Habitação, a PPP para construção de moradias no centro da capital feita pelo Estado em parceria com a Prefeitura foi lançada em 2012 com previsão de entregar 20 mil unidades, mas até agora 3,6 mil moradias foram contratadas e ainda estão em construção. A PPP para construção de três hospitais estaduais (São Paulo, São José dos Campos e Sorocaba) foi lançada em 2013 e a primeira unidade começou a ser construída com prazo de dois anos e meio de entrega.

A exceção até o momento em São Paulo é a PPP São Lourenço, que esta construindo uma novo sistema produtor de água na região do Vale do Ribeira para atender a Grande São Paulo. Embora também tenha sofrido atrasos antes do lançamento, a obra que vai proporcionar até 6,4 mil litros por segundo a mais para a região está em andamento e tem previsão de entrega em outubro do ano que vem.