Brasília – Irritados com a demora do governo em remeter-lhes o texto das reformas previdenciária e tributária, que será entregue amanhã ao Congresso, governadores de partidos de oposição protestaram ontem. “Estamos fazendo um gesto de maturidade, ao aceitarmos acompanhar o presidente Lula ao Congresso, como oposição que somos, mas levar algo que não conhecemos não dá”, resumiu ontem o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). Ele já havia se queixado aos ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e da Casa Civil, José Dirceu. “Nem o comunicado da hora da reunião com o presidente nós recebemos até agora”, disse no fim da tarde o governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), engrossando a reclamação dos oito governadores tucanos. Eles reconhecem que o governo federal atendeu às duas principais reivindicações dos governadores na reforma da Previdência (a contribuição dos inativos e a fixação de um teto salarial para ativos e inativos do setor público), mas fazem restrições ao formato da cerimônia de amanhã.

Os tucanos aceitam assinar a proposta e participar da solenidade de entrega ao Congresso, mas não querem atravessar a Praça dos Três Poderes de braços dados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sendo oposição ao governo. O que mais preocupa os governadores de oposição é mesmo a demora no envio da proposta final aos Estados. É bem verdade que aliados como o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), também não haviam tido acesso à versão final dos textos. A diferença é Lessa estava tranqüilo, certo de que apenas os pontos acertados com os governadores constariam do texto do governo e os tucanos queriam ver para crer.

“Receber a proposta que vamos assinar com a devida antecedência é o básico”, disse Lúcio Alcântara, que também procurou o ministro José Dirceu para apresentar seus protestos. “Nenhum de nós está disposto a participar do ato no Congresso sem examinar em detalhes a versão final do texto”, disse Cunha Lima.