O Senado aprovou projeto que tipifica os crimes cometidos na internet, conhecidos como cibernéticos. A legislação brasileira não prevê punições para esses crimes, que acabam enquadrados como outros delitos que não têm relação direta com a rede mundial de computadores.

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Pelo projeto, passa a ser crime invadir dispositivos eletrônicos alheios que estejam ou não conectados à rede mundial de computadores com o objetivo de obter ou adulterar dados – como celulares, notebooks, desktops, tablets ou caixas eletrônicos. Os dispositivos não precisam estar conectados à internet no momento da invasão para que o crime seja configurado.

Também será classificado como crime produzir, oferecer ou vender programas de computadores que permitam a invasão. A pena prevista é de três meses a um ano de prisão, além de multa.

A pena deve ser ampliada de um sexto a um terço se, na invasão, houver prejuízo econômico à pessoa ofendida – como nos casos de invasões de contas bancárias ou clonagens de cartões de crédito.

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Também há pena maior para quem obtiver informações sigilosas ou violar comunicações eletrônicas privadas ou segredos comerciais, como senhas ou conteúdos de e-mails. Nesses casos, a pena pode ser fixada em seis meses a dois anos de detenção e multa.

Se as vítimas forem autoridades públicas, o projeto também prevê aumento nas penalidades.
Outra mudança é a tipificação do crime de interrupção de serviço na internet ou telefônico, normalmente cometida por hackers. A pena estipulada no projeto é de um a três anos de detenção, além de multa.

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O projeto já foi aprovado na Câmara, mas volta para análise dos deputados porque sofreu mudanças no Senado durante a sua tramitação.

Relator do projeto, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) disse que a lei vai dar “respostas à sociedade” até que a Casa aprove mudanças definitivas no Código Penal brasileiro. “No novo código, nós poderemos mudar a dosimetria das penas e ampliar o escopo dos crimes”, afirmou.

O projeto que tipifica os crimes cibernéticos tramita há mais de 12 anos no Congresso. A discussão foi destravada em maio, depois do vazamento das fotos da atriz Carolina Dieckmann na internet. A análise do projeto ficou parada no Senado por mais de três meses porque um grupo de parlamentares defendia a aprovação das mudanças na legislação paralelamente à análise do Código Penal.

Após pressão do governo, o texto acabou aprovado em votação simbólica (sem o registro individual dos votos de cada senador) na sessão de hoje num acordo firmado entre os líderes partidários do Senado.

Desburocratização

O Senado deu hoje o primeiro passo para aprovar projeto que obriga a Justiça a abater o tempo de pena cumprida temporariamente pelo preso em sua condenação definitiva. Aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa, o texto altera o Código Penal ao determinar que o juiz considere na sentença condenatória o tempo cumprido em prisão temporária ou provisória.

Na prática, isso já ocorre se o preso conseguir comprovar por meio de um advogado que já cumpriu de forma parcial, ou integralmente, a sua pena. De autoria do Ministério da Justiça, o projeto foi apresentado para tornar automática a contagem da pena cumprida temporariamente.

“Atualmente o réu aguarda o processo inteiro preso e, quando vem a condenação, muitas vezes ela é inferior ao tempo de pena que já cumpriu”, disse o secretário de Assuntos Legislativos do ministério, Marivaldo Pereira. “Se o condenado já tiver cumprido a pena que lhe foi imposta, ele pode ser colocado imediatamente em liberdade”, completou.

O texto estabelece que, para que a pena cumprida seja descontada da aplicada pelo juiz na sentença de condenação, outro magistrado deve ser responsável pelo abatimento do tempo.

Relator do projeto, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que a mudança vai desburocratizar a contagem das penas. “Quem tem dinheiro hoje para contratar um bom advogado resolve isso rapidamente, mas quem é menos favorecido demora muito até conseguir solucionar o problema”, afirmou.

Como tramita em regime de urgência, o projeto deve ser votado no plenário do Senado na semana que vem. Se aprovado, segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.