Lei antifumo ameaça lei do Silêncio

A lei antifumo trouxe aos moradores do entorno das áreas boêmias o receio de outro tipo de poluição: a sonora. No primeiro dia de aplicação de multas, a fiscalização fez fumantes fazerem das calçadas um refúgio, com direito a festas paralelas ao longo de toda a madrugada. As associações de moradores dizem estar “de orelha em pé”.

“Existem casas noturnas que já estão em locais inapropriados e o barulho extra dos fumantes pode ser um complicador”, afirma o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) de Monções, Sérgio Lucon. A entidade abrange a área da Vila Olímpia – reduto de casas noturnas na zona sul da capital paulista. “Este fim de semana será crucial para avaliarmos o problema”, completa Cibele Sampaio, secretária da Sociedade dos Amigos do Brooklin Novo (Sabron). “O ruído já causa muitos transtornos e a tendência é aumentar.”

Olivia Costa, presidente do Conseg de Santo Amaro, afirmou que espera pela volta às aulas – quando universitários retornarão aos bares – para reforçar as “campanhas de silêncio”. “A lei antifumo pode agravar um problema que já existe. A conscientização é a melhor maneira de reduzir excessos.”

Abrahao Badra, presidente da Associação de Moradores da Vila Nova Conceição – que também reúne bares e restaurantes – é outro que prevê uma ameaça à Lei do Silêncio. “Todos os fatores que ensejam aglomeração fora dos bares, e de madrugada, nos causam preocupação”, diz. “E fica a dúvida sobre a quem poderemos recorrer”, diz Badra. Ligia Horta, que fala em nome dos moradores de Moema, e já precisa enfrentar o barulho dos aviões de Congonhas, também se preocupa com essa possibilidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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